MPF ajuíza ação contra prefeito de Farias Brito e ex-prefeito de Cedro

O Ministério Público Federal no Ceará (MPF/CE) ajuizou, nesta quinta-feira, 25 de julho, ação civil pública contra o prefeito do município de Farias Brito (Cariri), José Vandevelder Freitas Francelino, por desvio de recursos públicos que deveriam ter sido aplicados na construção de sistema de abastecimento de água da região. A ação de improbidade administrativa, assinada pela procuradora da República Lívia Maria de Sousa, também aponta envolvimento de uma empreiteira e dois engenheiros civis no caso.

De acordo com a ação, o Município de Farias Brito firmou, em 2008, convênio de R$ 200 mil com a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) para construção de sistema de abastecimento de água. Na parceria com o Governo Federal para execução do projeto, a Prefeitura de Farias Brito entraria com o montante de R$ 6,1 mil.

Apurações do MPF indicaram que a empresa CCE Caraíbas Construções e Empreendimentos, vencedora da licitação para construção do sistema de abastecimento, tinha 90 dias para executar a obra, contados a partir do dia 15 de outubro de 2008. Porém, seis aditivos sucessivos prorrogaram a vigência do contrato até o dia 30 de junho de 2010.

Posterior fiscalização realizada pela Controladoria Geral da União (CGU) constatou diversas irregularidades no convênio. Inicialmente, a CGU apontou que foram realizados pagamentos indevidos por serviços e fornecimentos de materiais previstos na planilha orçamentária contratada com a CCE Caraíbas Empreendimentos LTDA, em virtude de alguns serviços não terem sido realizados ou materiais não terem sido fornecidos.

Consta ainda na ação que a equipe de auditores da CGU, em diligências realizadas in loco, constatou que foi realizada a construção de poço profundo, quando o serviço previsto era a construção de poço tubular. Ainda houve a colocação de mangueira flexível, embora os pagamentos realizados à empresa tenham sido para colocação de tubo PVC, bem como a ausência de equipamento de tratamento da água, embora tenha sido realizado pagamento pela instalação e fornecimento de outro tipo de equipamento.

De acordo com a procuradora Lívia Maria, a modificação do projeto sem autorização da Funasa caracteriza uso indevido de recursos públicos, especialmente porque não houve licitação para construção do poço profundo e, sim do poço tubular aprovado no projeto, o que caracteriza contratação direta, sem a realização de procedimento licitatório e pesquisa prévia de preços.

“O que se verifica no caso em análise é que o gestor do Município de Farias Brito, em total inobservância dos princípios que regem a administração pública, utiliza recursos públicos federais de acordo com sua livre vontade, como se privados fossem, para dar ares de legalidade ao ilícito perpetrado, os demandados José Vandevelder Freitas Francelino e Luiz Humberto Leal inseriram informações falsas em documentos públicos, especialmente, Boletins de Medição e Termo de Recebimento da Obra”, diz trecho da ação, assinada pela procuradora Lívia Maria.

Além do prefeito de Farias Brito, são réus da ação os engenheiros Luiz Humberto Leal e José Roberto de Queiroga Gomes.

EX-PREFEITO CEDRO

O Ministério Público Federal no Ceará (MPF/CE) ajuizou ação de improbidade administrativa contra o ex-prefeito de Cedro (Centro-Sul do Ceará), João Viana de Araújo, o secretário municipal de Educação do Município, Vicente Ferrer Matias de Sousa e mais sete pessoas. A ação, proposta pela procuradora da República Lívia Maria de Sousa, acusa a Prefeitura Municipal de Cedro de fraudar processos licitatórios na realização do “Ferro Folia 2009”.

Costa na ação que a Prefeitura de Cedro firmou convênio com o Ministério do Turismo no valor de R$ 150 mil para promover o turismo local com a realização do “Ferro Folia 2009”. Entretanto, baseado em investigações feitas pelo setor técnico responsável pela análise de prestação de contas, constatou-se uma possível fraude na comprovação da realização do evento. “Os réus João Viana Araújo e Vicente Ferrer Matias de Souza, com o fim de comprovar a efetiva realização do evento, instruíram a prestação de contas com anexo fotográfico adulterado por meio de colagem digital dos outdoors que supostamente serviriam para comprovação de sua execução”, afirma a procuradora Lívia, autora da ação.

A procuradora destaca ainda que a execução do convênio firmado com o Ministério do Turismo foi marcado pelo fracionamento de despesas, superfaturamento de procedimentos licitatórios, desvio de recursos públicos e contratação direta fora das hipóteses legais de dispensa ou inexigibilidade de licitação. Segundo investigações, as três empresas que concorreram na licitação correspondente ao evento pertencem ao mesmo grupo familiar.

“As empresas são pertencentes a Francisco Glaudion Gonçalves, apesar de registradas em nome de parentes e amigos, que figuram apenas como “laranjas”, entre eles, a esposa e o sobrinho do acusado”, pontua. Para o MPF, não existiu efetiva competição entre as empresas convidadas, mas um simulacro de licitação com o objetivo de legitimar a contratação direta dessas empresas, possibilitando a adoção de preços não condizentes com os praticados no mercado, sendo desviados mais de R$ 76 mil.

Assessoria de Comunicação Social do MPF/CE

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