A cidade de Itaitinga se mobilizou ontem para discutir a construção de novos presídios no município, localizado na Região Metropolitana de Fortaleza. Autoridades locais e moradores participaram de uma audiência pública com o objetivo de traçar estratégias para frear o crescimento da “população carcerária da cidade”, que já abriga sete unidades penais.
“Ao longo dos anos, houve um constante crescimento no número de presídios aqui. Mas, ao mesmo tempo, não houve nenhuma contrapartida para a cidade, seja do Governo Federal ou estadual”, reclamou o prefeito do município, Abel Cercelino Rangel (PPL).
A vice-prefeita, Erivanda Nogueira (PR), argumentou que as unidades prisionais estariam inibindo o investimento do setor industrial na região. “Nossa cidade está estigmatizada pela violência”. Dentre os pontos levantados durante a audiência, estão a falta de infraestrutura e as deficiências em educação e segurança pública.
Um abaixo-assinado está sendo confeccionado pelos organizadores do movimento “Diga não à construção de mais presídios em Itaitinga”, encabeçado por vereadores e pela própria Prefeitura. O documento será entregue às autoridades municipais, estaduais e nacionais, visando sensibilizar os governos para os impactos sociais negativos da construção de novos presídios.
“A violência em Itaitinga só recrudesce. Pior, quando existe uma rebelião, o efetivo policial é totalmente direcionado para os presídios, descobrindo o restante da cidade. A questão da contrapartida tem que ser vista, através de políticas públicas e investimentos em outros setores”, disse Gabrielle Correia Lima Pereira, promotora da comarca de Itaitinga.
Em nota, a Secretaria da Justiça e Cidadania (Sejus) informou que uma unidade prisional – a Casa de Privação Provisória de Liberdade (CPPL) V – será construída no município, próxima às CPPLs II, III e IV. A decisão da construção, conforme a nota, segue uma diretriz nacional do Ministério da Justiça, que prevê a implantação de unidades em complexos penitenciários, facilitando a logística e a segurança prisional.
A Sejus citou ainda que há novas obras penitenciárias em outros municípios da Região Metropolitana (Maracanaú, Horizonte, Aquiraz e Caucaia) e que a secretária Mariana Lobo já recebeu o prefeito de Itaitinga e uma comissão formada por vereadores e outras autoridades do município para ouvir as demandas do grupo.
O Povo Online

