Igreja Católica excomunga padre que apoia homossexuais

Segundo padre Beto, a decisão não vai mudar nada em sua vida, pois já havia decidido pelo afastamento da Igreja (Foto: Denise Guimarães/Futura Press/Folhapress)

A Igreja Católica decidiu excomungar o padre de Bauru (a 329 km de São Paulo) que havia se afastado de suas atividades religiosas neste final de semana após declarações de apoio aos homossexuais.

A decisão da excomunhão foi divulgada pela Diocese de Bauru num comunicado publicado em seu site. O texto é assinado e pelo Conselho Presbiteral Diocesano, formado por dez sacerdotes da cúpula do órgão.

Famoso por contestar os princípios morais conservadores da Igreja Católica, Roberto Francisco Daniel, 48, conhecido como padre Beto, realizou suas últimas missas no domingo passado, em duas igrejas que ficaram lotadas de fiéis em clima de comoção.

Ele havia recebido prazo do bispo de Bauru, Caetano Ferrari, 70, para se retratar e “confessar o erro” cometido em declarações divulgadas na Internet nas quais afirma que existe a possibilidade de amor entre pessoas do mesmo sexo, inclusive por parte de bissexuais que mantêm casamentos heterossexuais. Após o ultimato, o religioso anunciou que iria se afastar de suas funções religiosas, mas disse que considerava a hipótese de voltar um dia.

“Se refletir é um pecado, sempre fui e sempre serei um pecador”, afirmou. “Quem disse que um dogma não pode ser discutido? Não consigo ser padre numa instituição que no momento não respeita a liberdade de expressão e reflexão”. Ontem pela manhã, ele tentou entregar o pedido de afastamento, mas foi informado sobre a excomunhão.

No comunicado, a diocese afirma que “uma das obrigações do bispo diocesano é defender a fé, a doutrina e a disciplina da igreja” e que, por isso, o padre “não pode mais celebrar nenhum ato de culto divino (sacramentos e sacramentais, nem mais receber a santíssima eucaristia), pois está excomungado”.

O bispo convocou um padre canonista perito em Direito Penal Canônico e o nomeou como juiz instrutor para tratar a questão e aplicar a “Lei da Igreja”. “Ainda bem que não tem fogueira”, disse o padre ao comentar de forma irônica a decisão do bispo.

Folhapress

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