Ex-policial Bola vai a júri por morte de Eliza Samudio e ocultação de cadáver

Bruno, Macarrão e Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, durante audiência do caso (Foto: Alex Araújo/G1 MG)

O ex-policial civil Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, vai ser julgado a partir desta segunda-feira (22) pela morte e ocultação de cadáver de Eliza Samudio, ex-amante do goleiro Bruno Fernandes – já condenado pelos crimes. Uma certidão de óbito, expedida por determinação da Justiça, atesta que a jovem foi morta aos 25 anos em 2010, mas o corpo nunca foi encontrado. A defesa do réu afirma inocência. Três pessoas, incluindo o goleiro Bruno, já foram condenados no caso.

Sete jurados decidirão o destino do réu no Fórum de Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (MG), no júri presidido pela juíza Marixa Fabiane Lopes Rodrigues. A previsão é que o julgamento dure três dias, segundo o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG). Bola está preso desde 2010, acusado de ser o executor da jovem. Uma propriedade dele, em Vespasiano (MG), foi um dos locais vaculhados pela policia.

Bola seria julgado em novembro do ano passado, porém, no primeiro dia do júri, seus advogados abandonaram o plenário e ele se negou a ser representado por um defensor público. Depois disso, teve seu julgamento desmembrado.

O ex-policial ainda responde pelo desaparecimento, tortura e morte de duas pessoas, em Esmeraldas (MG), em 2008, e pelo assassinato de um homem em 2009, em Belo Horizonte. Em novembro de 2012, ele foi absolvido, da acusação de ter assassinado um carcereiro no ano 2000, em Contagem.

Segundo o Ministério Público, nove acusados, sob ordens de Bruno, participaram do sequestro e desaparecimento de Eliza Samudio, entre eles o amigo Macarrão e uma ex-namorada do goleiro, ambos condenados em novembro. A acusação contra uma pessoa foi arquivada. Para a Promotoria, o jogador, que atuava no Flamengo, arquitetou o crime para não ter de reconhecer o filho que teve com Eliza nem pagar pensão alimentícia. Conheça todos os réus.

No dia 8 de março, o goleiro Bruno Fernandes foi condenado a 22 anos e 3 meses de prisão em regime inicialmente fechado por homicídio triplamente qualificado (por motivo torpe, asfixia e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima), sequestro e cárcere privado e ocultação de cadáver. A pena foi aumentada porque o goleiro foi considerado o mandante do crime, e reduzida pela confissão do jogador.

Conforme a denúncia, Eliza foi levada à força do Rio de Janeiro para um sítio do goleiro, em Esmeraldas (MG), onde foi mantida em cárcere privado. Depois, foi entregue para o ex-policial Bola, que a asfixiou e desapareceu com o corpo.

O bebê Bruninho, filho de Eliza e de Bruno, que foi achado com desconhecidos em Ribeirão das Neves (MG), hoje vive com a avó em Mato Grosso do Sul. Um exame de DNA comprovou a paternidade.

Além do ex-policial, dois réus ainda vão ser julgados separadamente. No dia 15 de maio, vão a júri Elenílson Vitor da Silva e Wemerson Marques de Souza. Sérgio Rosa Sales, primo de Bruno, foi morto a tiros em agosto. Dayanne Rodrigues, ex-mulher do goleiro, foi absolvida durante o julgamento em março.

G1 MG

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