Investigação da PF revela influência política do Banco Master no governo

Um relatório da Polícia Federal revela uma sofisticada estrutura de captura de agentes públicos e influência política montada pelos gestores do Banco Master. O documento de 98 páginas, que teve o sigilo derrubado pelo ministro André Mendonça, indica que o grupo buscava blindar e expandir negócios no governo federal e no Congresso, colocando processos legislativos a serviço de interesses privados.

Qual é a principal acusação contra o senador Jaques Wagner?

O senador Jaques Wagner é apontado como um dos principais interlocutores do esquema. Investigadores encontraram indícios de que ele teria recebido benefícios, como o usufruto de um apartamento de luxo em Salvador avaliado em R$ 2,45 milhões, registrado em nome de terceiros para ocultar o real proprietário. Além disso, empresas de sua família teriam recebido repasses milionários sem a devida prestação de serviços. A PF documentou ainda cinco ocasiões em que o senador utilizou jatos e helicópteros do banco para viagens pessoais sob instruções de sigilo. O senador nega as acusações.

Como os executivos do banco tentavam influenciar o governo?

Os gestores Daniel Vorcaro e Augusto Lima usavam a proximidade com nomes do alto escalão como ferramenta de marketing. Mensagens sugerem que eles percebiam figuras como o ex-ministro Rui Costa e o ministro Alexandre Silveira como aliados estratégicos para facilitar operações regulatórias, como a tentativa de compra do Banco Master pelo BRB, que acabou barrada pelo Banco Central. Vorcaro chegou a orientar que sua influência fosse divulgada diretamente ao presidente Lula e à base aliada para autopromoção. Vale notar que Rui Costa e Silveira não são alvos formais da investigação atual.

Quais propostas legislativas teriam favorecido o Banco Master?

A investigação destaca dois casos principais de atuação parlamentar sob encomenda. O primeiro envolveu a ampliação das margens do crédito consignado em 2022, mercado onde o banco atuava fortemente por meio do Credcesta. O segundo caso foi a tentativa de elevar o limite de cobertura do Fundo Garantidor de Créditos, o FGC, de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por meio de uma PEC em 2023. Essa mudança foi descrita pelos investigados como uma ‘catástrofe positiva’, pois facilitaria a captação de grandes investidores sob a proteção do fundo público, garantindo mais lucro e segurança à instituição.