Lula reitera que só vai analisar aval para embaixador de Trump depois das eleições

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reiterou nesta sexta-feira (14) que só avaliará a indicação do embaixador dos Estados Unidos no Brasil depois da eleição. O governo americano, comandado por Donald Trump, subverteu a praxe diplomática e anunciou o nome de Daniel Perez antes de haver o aceite do Brasil –procedimento conhecido como agrément.

“Eles agora querem que eu apressadamente aceite o agrément do em baixador dele. Agora, só depois das eleições. Se o embaixador dos EUA é importante no Brasil, por que eles ficaram um ano e seis meses sem mandar embaixador para cá e querem mandar faltando 45 dias para as eleições?”, declarou o presidente brasileiro.

Lula deu as declarações em entrevista ao podcast Não Inviabilize, transmitida em vídeo. O petista tem dado entrevistas a podcasts para tentar atingir públicos que não o seguem normalmente, especialmente os mais jovens. Recentemente, ele também falou ao Inteligência LTDA. e ao Meteoro Brasil.

No último dia 7, o Senado dos EUA aprovou a indicação de Perez para o cargo, algo que não muda o fato de que ele precisa do aval do governo brasileiro para assumir a representação diplomática.

A indicação do aliado de Trump se transformou no principal foco da mais recente crise diplomática entre Brasil e EUA. A Casa Branca acusa Brasília de atrasar de forma deliberada a concessão do agrément e afirma que deu ao governo Lula “todas as oportunidades para fazer a coisa certa”, mas que encontrou sucessivos adiamentos e obstáculos.

Como resposta, Washington anunciou no início de agosto a revogação do visto da embaixadora brasileira nos EUA, Maria Luiza Viotti. O Departamento de Estado classificou a decisão como uma medida recíproca e afirmou que a diplomata continuará reconhecida como representante oficial do Brasil.

Na prática, Viotti poderá permanecer em Washington e continuar exercendo suas funções, mas, caso deixe o território americano, precisará solicitar um novo visto para retornar.

Na ocasião, Lula criticou o governo americano pela retirada do visto de Viotti, chamando a ação de impensada e irresponsável.

O presidente brasileiro afirmou ainda que eventuais intromissões estrangeiras nas eleições brasileiras não serão aceitas. Também afirmou que se o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, fizer campanha para seus adversários, a manobra poderá dar errado.

“Se o secretário de Estado quiser vir aqui fazer comício para o meu adversário, é até bom”, disse o petista. O presidente disse querer “derrotar todos eles juntos”.

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