O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) exaltou neste sábado (8) o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), criticou a elite brasileira e usou a política habitacional para defender que moradias populares tenham padrões mais elevados de construção.
As declarações foram feitas durante a comemoração dos 30 anos do MTST, no Ginásio Ayrton Senna, em Taboão da Serra, na região metropolitana de São Paulo. O evento reuniu integrantes do movimento e do governo, além da primeira-dama Janja da Silva e do ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos (PSOL), ex-coordenador do MTST.
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Ao falar sobre habitação, Lula relembrou discussões ocorridas durante seus primeiros mandatos e criticou a ideia de que prédios destinados à população de baixa renda deveriam ter poucos andares para dispensar elevadores.
“Quando a gente pensava em casa para pobre, era o seguinte: tinha que ser casa de prédio com no máximo quatro andares, porque não tinha elevador, porque pobre não podia pagar o custo do elevador”, afirmou.
Segundo Lula, reuniões de governo chegaram a discutir a instalação de áreas comerciais nos conjuntos habitacionais para gerar renda e custear os equipamentos. O presidente disse que reagia com irritação aos argumentos apresentados.
“Eu ficava indignado, para não dizer a palavra ‘puto’, eu ficava indignado. Por que que pobre não pode ter elevador?”, declarou Lula.
Lula então citou como contraponto um conjunto habitacional ligado ao MTST que visitou na Zona Leste de São Paulo após retornar à Presidência, em 2023. Segundo ele, o projeto conseguiu oferecer unidades maiores e estrutura superior à encontrada em outros empreendimentos populares.
“O apartamento era de 60 m², maior do que o que a gente faz com empresa. E ainda tinha ligação entre os dois prédios. Por que que vocês conseguiram fazer isso? Vocês provaram que é possível fazer maior, mais barato e de melhor qualidade?”, disse, em elogio ao movimento.
Lula agradeceu ao grupo pelo apoio recebido durante os períodos de maior desgaste de sua trajetória e, nesse momento, voltou suas críticas contra a elite brasileira.
“Eu sou grato porque, em todos os momentos da minha vida, em todos os momentos difíceis que eu passei, quando a elite brasileira queria jogar a infâmia contra mim, queria sujar um nome que a dona Lindu me deu, vocês levantaram a cabeça e disseram: ‘O Lula não é o Lula. O Lula somos todos’”, afirmou.
Além de Boulos e Janja, o encontro teve manifestações de apoio a aliados que disputarão as eleições em São Paulo. Lula citou nomes como Fernando Haddad, Simone Tebet e Marina Silva durante o evento.

