Quando os bens de um investigado são encontrados com base na Difusão Prateada da Interpol e no trabalho de inteligência da PF (Polícia Federal), começa-se uma nova etapa na investigação: o pedido de bloqueio.
A solicitação, no entanto, não é rápida tampouco imediata. É necessário um trâmite dentro da cooperação jurídica internacional, como explica o secretário-geral da Interpol, Valdecy Urquiza, à CNN.
“Trabalhamos com a polícia local para confirmar a localização [do bem]. Uma vez confirmada, o país que solicitou a difusão terá que fazer o pedido pela via da cooperação jurídica”, destaca o chefe da rede mundial de polícias.
Na sexta-feira (31), a CNN detalhou que a PF identificou bens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro fora do Brasil no âmbito das cooperações policial e jurídica internacional com as quais trabalha para rastrear patrimônio do investigado no exterior.
Até o momento, a lista levantada pela PF cita uma mansão e um iate. Os bens são avaliados em cerca de R$ 500 milhões. As apurações correm em relação a patrimônio nos Estados Unidos e na Alemanha.
A PF pediu a inclusão do nome de Vorcaro na Difusão Prateada da Interpol com o objetivo de rastrear os bens em todos os 196 países que fazem parte do organismo internacional.
Dessa forma, segundo Urquiza, quando se tem a localização do bem, o trabalho passa a ser junto a polícia local.
Integrantes do Ministério da Justiça brasileiro também explicam que após a identificação dos bens vem a parte do bloqueio e isso depende da Justiça de cada país. O procedimento é o mesmo na terceira etapa, que é de repatriação do patrimônio — ou a perda dos bens.
A devolução dos recursos é um elemento de impasse na recusa da PF às tentativas de colaboração premiada por parte de Vorcaro. A corporação aponta que as fraudes do Banco Master chegariam a cerca de R$ 40 bilhões e parte do dinheiro foi para fora do Brasil, mas o ex-banqueiro não estaria disposto a devolver sua totalidade.

