O governo de Luiz Inácio Lula da Silva condicionou o retorno do embaixador Júlio Bitelli à Argentina a uma mudança na postura do presidente Javier Milei, que fez críticas ao Lula e ao ministro do STF Alexandre de Moraes durante um evento em São Paulo. Bitelli foi chamado de volta a Brasília no domingo 26, e não há previsão para seu retorno a Buenos Aires. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, está avaliando a situação, e o governo considera que a permanência do embaixador em Brasília pode se estender até além das eleições.
O governo de Luiz Inácio Lula da Silva condicionou o retorno do embaixador Júlio Bitelli à Argentina a uma mudança na postura do presidente argentino, Javier Milei. A avaliação é compartilhada entre o Palácio do Planalto e o Itamaraty, segundo auxiliares envolvidos nas discussões, e, no momento, não há previsão para que o diplomata reassuma o posto em Buenos Aires.
Bitelli foi chamado de volta a Brasília na madrugada do último domingo, 26, depois de Milei fazer críticas a Lula e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante a convenção nacional do PL, em São Paulo, que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.
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No evento, o presidente argentino chamou Lula de “presidiário”, acusou o governo do Brasil de atuar politicamente contra a Argentina e se referiu a Moraes como “lixo careca”. Em seu discurso, também criticou o comunismo e o kirchnerismo, em referência à ex-presidente Cristina Kirchner, aliada de Lula.
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Desde o retorno do embaixador, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, iniciou uma série de reuniões para avaliar o cenário. Bitelli esteve com o chanceler na segunda-feira 27, no Palácio do Itamaraty, quando foi feita uma primeira análise da situação. Um novo encontro entre os dois está previsto para esta quarta-feira, 29.
Lula também encontrou-se com o diplomata durante compromisso oficial no Itamaraty com o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung. Questionado por jornalistas sobre as declarações de Milei, o petista respondeu: “Quem é esse cara?”.
Segundo integrantes do governo ouvidos pelo jornal Folha de S.Paulo, o retorno de Bitelli dependerá de uma alteração na forma como Milei conduz a relação bilateral. Enquanto isso não ocorrer, a orientação é manter o embaixador em Brasília.
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Há ainda a avaliação de que a permanência do diplomata fora da Argentina pode se estender até mesmo além das eleições presidenciais brasileiras. Integrantes do governo consideram que as declarações de Milei tiveram motivação política e que uma volta imediata poderia expor o embaixador a novos episódios de constrangimento ou a novas manifestações do presidente argentino.
Histórico de atritos diplomáticos de Lula e Milei
Júlio Bitelli ocupa a embaixada brasileira em Buenos Aires desde 2023. Antes disso, foi chefe de gabinete do ministro Mauro Vieira entre 2015 e 2016, durante o governo Dilma Rousseff.
As divergências entre Lula e Milei vêm se acumulando desde a posse do presidente argentino. Um dos episódios recentes ocorreu na última cúpula do Mercosul, realizada no Paraguai, quando Milei não participou do encontro, evitando um contato com o presidente brasileiro.
Antes da atual crise, Bitelli havia sido chamado ao Brasil apenas em 2024 para consultas internas sobre a relação bilateral, sem que houvesse um conflito diplomático.
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Na terça-feira 28, o porta-voz do governo argentino, Adrian Ravier, minimizou o episódio. Segundo ele, “sempre houve insultos de ambos os lados”, e a Argentina nunca levou divergências ideológicas para o plano diplomático.
A convocação temporária de um embaixador é considerada um dos principais sinais de deterioração nas relações entre dois países.
O caso mais recente que envolveu o Brasil ocorreu em 2024, durante a crise com Israel, quando o governo brasileiro chamou de volta seu representante em Tel-Aviv e convocou o então embaixador israelense em Brasília para uma reunião, em meio ao desgaste provocado pelas declarações de Lula sobre a guerra na Faixa de Gaza.

