Lula privilegia viagens ao RJ enquanto PT vê chance de avançar no estado

Com a viagem de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta terça-feira (28), o Rio de Janeiro se tornou o estado mais visitado pelo presidente na pré-campanha. A estratégia de atenção ao eleitorado fluminense se dá sob a avaliação petista de que o mandatário tem potencial para conquistar mais votos no estado do que em 2022.

Segundo levantamento da CNN Brasil, Lula foi ao Rio de Janeiro cinco vezes desde o início de maio – momento em que passou a acelerar seu ritmo de viagens e entregas ao redor do país. Mesmo São Paulo, o maior colégio eleitoral do Brasil, recebeu menos visitas do mandatário (quatro).

Confira abaixo as viagens de Lula:

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Uma fonte da campanha diz que pesa para a avaliação sobre o estado a composição do palanque. Lula estará ao lado do ex-prefeito da capital Eduardo Paes (PSD), que lidera as intenções de voto nas principais pesquisas eleitorais, e da ex-governadora Benedita da Silva (PT), que também está bem posicionada nas sondagens.

O presidente do PT-RJ, Diego Zeidan, disse à CNN Brasil que Lula terá no estado uma coalizão mais ampla que em 2022, quando seu candidato ao Palácio Guanabara foi Marcelo Freixo (PT). O ex-deputado moderou seu discurso na corrida eleitoral daquele ano, mas não superou resistências ao seu nome.

O dirigente afirma que mais setores do “centro progressista” estarão com o petista. “E é claro que há a figura do Paes, que é o maior puxador de votos no estado hoje. Sem dúvida é um palanque mais forte, também com a Benedita”, afirmou.

No segundo turno das eleições de 2022, Jair Bolsonaro (PL) conquistou 56,53% dos votos válidos no estado, enquanto Lula recebeu 43,47%. O estado é o berço político do ex-presidente Jair Bolsonaro e também de Flávio Bolsonaro (PL), senador eleito pelos fluminenses em 2018.

Zeidan indica que o PT-RJ trabalha pesquisas qualitativas sobre as chances de Lula avançar em eleitorados específicos e espera novas visitas do presidente ao estado durante a campanha. Uma das agendas seria um encontro com evangélicos – público no qual Flávio lidera em relação ao presidente.

Existe a avaliação no PT de que as crises familiares entre Flávio e sua madrasta, Michelle Bolsonaro (PL), e supostos laços do senador com o caso do Banco Master abriram um flanco que pode ser explorado pela campanha de Lula para ganhar espaço entre este eleitorado.

Outro alvo é o público feminino. Na terça-feira, Lula fez novamente visita a “carreata da saúde da mulher”. O programa de unidades móveis do governo oferece exames como mamografias, ultrassonografias e preventivos ginecológicos para o diagnóstico precoce de câncer de mama e de colo do útero.

PL questiona força de Paes

Fontes próximas à campanha de Flávio Bolsonaro questionam a força de Eduardo Paes no estado. O PL no Rio de Janeiro confere a distância entre o seu nome e os demais pré-candidatos nas pesquisas eleitorais à alta taxa de conhecimento dos eleitores sobre a figura do ex-prefeito da capital.

A avaliação na sigla é de que seu pré-candidato, Douglas Ruas, ainda é pouco conhecido e reduzirá a vantagem de Paes especialmente após o dia 16 de agosto, quando se inicia a propaganda gratuita na TV e no rádio. A aposta é de que a associação do deputado estadual a Flávio na campanha também impulsionará seu nome.

O PL vê Paes com um “teto baixo” nas eleições e questiona a capacidade do ex-prefeito de levar votos a Lula. Também indica que Flávio se mantém à frente do presidente nas pesquisas sobre o estado a despeito de crises que atingiram sua campanha nos últimos dois meses.

Pesquisa Real Time Big Data divulgada na terça-feira (28) mostra um empate técnico entre o senador Flávio e Lula em um eventual segundo turno no estado. O parlamentar aparece numericamente à frente, com 46% das intenções de voto, contra 42% do mandatário, mas há empate técnico se considerada a margem de erro.

Foram ouvidas 2.000 pessoas no Rio de Janeiro entre os dias 23 e 27 de julho. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos. O índice de confiança é de 95%. A pesquisa foi realizada com recursos próprios do instituto e está registrada no TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sob o protocolo BR-06074/2026.

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