O ministro da Educação da Índia, Dharmenda Pradhan, renunciou neste sábado (25), concedendo uma grande vitória aos jovens manifestantes que exigiam sua saída como forma de assumir a responsabilidade pelo vazamento de provas nacionais.
Os jovens comemoraram efusivamente ao saber de sua saída. “Conseguimos”, disse Abhijeet Dipke, fundador do “Partido das Baratas”, que liderou os protestos, em meio a aplausos estrondosos no local de manifestação de Jantar Mantar, em Nova Déli. O movimento afirmou posteriormente que encerrará seus protestos.
As maiores mobilizações de rua da Índia nos últimos anos se tornaram uma crise política, representando um dos maiores desafios para o terceiro mandato do primeiro-ministro Narendra Modi —iniciado em 2024—, à medida que políticos da oposição se uniram aos apelos dos jovens para exigir medidas e interromperam os trabalhos do Parlamento.
“Considerando a situação que surgiu em Jantar Mantar e em todo o país, para que forças antinacionais não se aproveitem dessa situação (…) enviei minha carta de renúncia ao primeiro-ministro”, escreveu Pradhan em nota. “Respeito profundamente as aspirações, os sentimentos e as expectativas legítimas da juventude do país.”
O ministro anunciou sua renúncia no X no exato momento em que a polícia lançava gás lacrimogêneo para dispersar jovens manifestantes em Nova Déli, poucas horas antes de seus líderes se reunirem para mais uma rodada de negociações com os ministros.
Pradhan, 57, é um líder sênior do Partido Bharatiya Janata (BJP), de Modi, e tem sido considerado uma figura em ascensão, tendo sido até mesmo mencionado no passado como um potencial líder da legenda.
Ministro desde que Modi assumiu o cargo pela primeira vez em 2014, ele ocupou as pastas de petróleo e gás natural, siderurgia e desenvolvimento de competências, tornando-se ministro da Educação em 2021. Seu pai foi um líder veterano do BJP e atuou como ministro federal adjunto entre 1998 e 2004.
O governo de Modi anunciou que Pralhad Joshi deve assumir a pasta. Ele já atuava no gabinete do premiê, até então como ministro de Assuntos do Consumidor, Alimentação e Distribuição Pública e de Energia Nova e Renovável.
A renúncia de Pradhan é “uma vitória da paz, da paciência e da perseverança”, escreveu no X o ativista Sonam Wangchuk, que esteve em greve de fome por 26 dias para apoiar o movimento dos jovens.
Os jovens em Jantar Mantar —local próximo à sede do governo utilizado para manifestações— gritavam “Jai Hind”, um slogan patriótico que significa “Vitória para a Índia”, enquanto o hino nacional tocava nos alto-falantes e doces eram distribuídos entre a multidão. Pelo menos 1.000 policiais estavam nas proximidades, protegendo a área, segundo jornalistas da agência Reuters presentes no local.
O vazamento da prova do vestibular de uma faculdade de medicina de grande prestígio em maio deste ano, que levou ao cancelamento dos resultados e à ordem do governo para a realização de uma nova prova, afetou 2 milhões de jovens.
O ministro da Saúde, J. P. Nadda, e Jitendra Singh, ministro de Estado no gabinete de Modi, realizaram posteriormente uma entrevista coletiva conjunta com alguns líderes do “Partido das Baratas”, na qual o grupo anunciou o fim dos protestos mediante um acordo de que o governo não tomará medidas contra nenhum dos manifestantes.
Os apoiadores do movimento, liderado por jovens, vinham protestando desde junho, mas a raiva atingiu o auge depois que, na última segunda, a polícia feriu dezenas de estudantes com cassetetes e disparando gás lacrimogêneo para deter os manifestantes que marchavam em direção ao Parlamento.
Os protestos também refletem, segundo os organizadores, a indignação com a escassez de empregos, a corrupção e a falta de prestação de contas do governo.
“A geração jovem está aqui. Esta é uma vitória para a Constituição”, disse o manifestante Tluanga Ralte, caminhando com uma cópia da Constituição indiana no local do protesto após a renúncia do ministro. “Não somos uma geração preguiçosa.”
Após a notícia de sua renúncia, as autoridades federais restabeleceram o acesso à internet móvel nas imediações do protesto, serviço que havia sido bloqueado durante a maior parte da semana.
Pradhan é apenas o segundo ministro a renunciar após um escândalo desde que Modi assumiu o poder em 2014. M. J. Akbar deixou o cargo de vice-ministro das Relações Exteriores em outubro de 2018 para se defender de acusações de assédio sexual feitas por mais de uma dúzia de mulheres.
Estudantes, jovens ativistas e simpatizantes da oposição realizaram, nos últimos dias, protestos nos estados de Bengala Ocidental, Telangana, Karnataka e Tamil Nadu, empunhando cartazes exigindo a renúncia de Pradhan e boicotando as aulas em alguns locais.

