Lula libera R$ 19 bilhões para empresas afetadas pelo tarifaço dos EUA

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, enesta quarta-feira, 22, uma medida provisória que destina R$ 19 bilhões para apoiar empresas brasileiras afetadas pela nova tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos nacionais. O Tesouro alocará R$ 14 bilhões e o BNDES R$ 5 bilhões, beneficiando setores como aço, alumínio, automotivo e têxtil. A tarifa entrou em vigor sem que o governo brasileiro conseguisse um acordo com os EUA, após mais de 30 propostas de negociação.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, nesta quarta-feira, 22, uma medida provisória (MP) que prevê cerca de R$ 19 bilhões em apoio a empresas afetadas pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos. Os recursos integram a terceira fase do plano Brasil Soberano.

Do total anunciado, o Tesouro destinará R$ 14 bilhões, enquanto o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) disponibilizará outros R$ 5 bilhões.

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A medida alcança exportadores atingidos pela nova sobretaxa, empresas enquadradas na Seção 232 da Trade Expansion Act, companhias impactadas por conflitos internacionais e setores considerados estratégicos. Entre os segmentos contemplados estão aço, alumínio, automotivo, móveis, madeira, máquinas e equipamentos, calçados, têxtil, fertilizantes, equipamentos de informática e minerais críticos.

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O anúncio ocorre no mesmo dia em que entrou em vigor a tarifa adicional de 25% sobre parte dos produtos brasileiros vendidos aos Estados Unidos.

Impasse nas negociações de Lula e Trump

Nos bastidores, integrantes do Itamaraty ouvidos por Oeste avaliam que o governo não encontrou uma saída capaz de reverter o tarifaço. Segundo as fontes, as propostas apresentadas aos Estados Unidos não foram recebidas como esperado.

“Estamos na mesa de negociação”, disse Lula. “Já enviamos vários documentos e propostas. Fui para os Estados Unidos e passamos três horas em reuniões com Geraldo Alckmin e com os ministros Márcio Elias Rosa e Dario Durigan. Nunca encontramos reciprocidade na conversa.”

Ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Elias Rosa, no entanto, disse que Brasil vai usar reciprocidade “quando for necessário”.

Interlocutores da diplomacia brasileira avaliam que o impasse vai além da esfera comercial e envolve, sobretudo, divergências políticas e ideológicas entre os governos Lula e Trump. Na avaliação do Itamaraty, esse componente dificulta a definição de uma estratégia para reverter as tarifas.

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Washington afirma que as tarifas são resultado da investigação conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. Segundo o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), o governo brasileiro mantém práticas consideradas desleais em áreas como comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, combate à corrupção e fiscalização do desmatamento ilegal.

Os EUA consideram que as negociações realizadas ao longo do último ano não foram suficientes para resolver essas questões.

Apesar do tarifaço, o governo norte-americano poupou mais de 2 mil produtos brasileiros da sobretaxa. A lista inclui itens relevantes da pauta de exportações, como carne bovina, café, laranja, suco de laranja, petróleo e aeronaves civis.

“Há males que vêm para o bem”, disse Lula, ao anunciar medidas de resposta ao tarifaço. Além disso, o presidente brasileiro disse que o país não vai ficar “chorando” por exportações que não irão aos EUA.

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