Déficit de estatais no governo Lula chega a R$ 18,48 bi, diz TCU

De janeiro de 2023 e maio de 2026, as empresas estatais federais não dependentes acumularam um déficit de R$ 18,48 bilhões, conforme auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU). O governo Lula inverteu o superávit da gestão anterior, utilizando 91% dos R$ 3,29 bilhões contingenciados para cobrir o rombo, o que afetou políticas públicas. O déficit se concentra em quatro estatais, com os Correios em situação crítica.

As empresas estatais federais não dependentes acumularam um déficit de R$ 18,48 bilhões entre janeiro de 2023 e maio de 2026, segundo auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU). Os dados revelados pelo jornal Gazeta do Povo mostram que o governo Lula inverteu um ciclo de superávits registrado na gestão anterior.

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O parecer do TCU sobre as contas de 2025 sinaliza que a situação forçou o governo a usar recursos de outras áreas para cobrir o rombo. Dos R$ 3,29 bilhões contingenciados até o quinto bimestre de 2025, 91% foram para absorver o déficit das estatais.

“Isso impôs restrições orçamentárias a órgãos responsáveis por políticas públicas, exigindo replanejamento forçado e afetando a continuidade de programas governamentais”, diz o relatório do tribunal.

Entre as estatais não dependentes estão os Correios, a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), a Eletronuclear e a Casa da Moeda.

Déficit se concentra em quatro empresas

O TCU identificou que 95% do rombo de 2025 se concentrou em quatro estatais: Empresa Gerencial de Projetos Navais, Correios, Empresa Gestora de Ativos e Infraero.

O déficit primário do Programa de Dispêndios Globais dessas empresas foi de R$ 4,9 bilhões em 2025.

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A situação dos Correios é considerada a mais grave pelo tribunal, com risco de insolvência.

Governo Lula inverte superávit de R$ 17,46 bi

A análise do TCU usa estatísticas fiscais do Banco Central, que excluem estatais financeiras (Banco do Brasil, Caixa e BNDES) e a Petrobras.

No governo Bolsonaro, o conjunto de estatais não dependentes registrou superávit em três dos quatro anos: R$ 10,29 bilhões (2019), R$ 3,03 bilhões (2021) e R$ 4,75 bilhões (2022). Apenas 2020 teve resultado negativo, de R$ 614 milhões. O saldo positivo acumulado foi de R$ 17,46 bilhões.

No governo Lula, a sequência é de déficits: R$ 656 milhões (2023), R$ 6,73 bilhões (2024) e R$ 5,13 bilhões (2025). Em 2026, o rombo já chegava a R$ 5,96 bilhões nos primeiros cinco meses.

TCU vê “deterioração na capacidade de autofinanciamento”

O TCU afirma que a “progressiva reversão de resultados positivos para déficits crescentes ao longo do triênio 2023-2025 evidencia deterioração na capacidade de autofinanciamento dessas estatais.”

O órgão atribui o cenário a uma “deficiência sistêmica na supervisão ministerial e no acompanhamento orientado a riscos, que não atuou de forma preventiva nem induziu ajustes estruturais tempestivos.”

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O Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027, enviado pelo governo, projeta déficit das estatais não dependentes até 2030.

O governo federal foi questionado pela Gazeta do Povo por meio da Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais. Em resposta, a pasta informou apenas que “mantém diálogo constante com o TCU sobre o assunto”.

A aprovação das contas de 2025 ocorreu com ressalvas em 10 de junho. O parecer segue para o Congresso, que tem a palavra final sobre as contas presidenciais.

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