FORTALEZA: Feijão está 11,6% mais caro

Apenas no mês de março, o preço do feijão ficou 11,65% mais alto para o fortalezense, de acordo com a pesquisa mensal do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), divulgada nesta segunda-feira, tendo março como mês de referência. Das 18 capitais pesquisadas pelo Dieese, apenas em Aracaju (13,35%) e Salvador (12,08%) o feijão teve maior alta que em Fortaleza.

Para Severino Neto, presidente da Associação Cearense dos Supermercados (Acesu) a principal causa dessa alta é a estiagem que atinge a região Nordeste, cuja produção não tem conseguido suprir a demanda. “Hoje, praticamente nada do que é consumido no Ceará é produzido no Estado”, diz. “Aqui se consume muito feijão verde e feijão de corda, e esse está com o preço lá em cima”.

Severino acredita que qualquer melhora no clima, ou seja, mais chuva, resultará em queda do preço do feijão. O presidente da Acesu nota, ainda, que outros produtos que estão fora da cesta básica, mas que fazem parte do cardápio do cearense, como a cebolinha e a batata doce também registram grande aumento.

Em março, o valor da cesta básica na capital cearense ficou em R$ 280,69. O que representou um aumento de 1,34%, em relação a fevereiro. Mesmo assim, em apenas cinco das 18 capitais pesquisadas, a queda no preço da cesta básica foi menor. Em Fortaleza, dos 13 produtos de primeira necessidade pesquisados pelo Dieese, quatro apresentaram alta, além do feijão: Farinha (9,94%), Banana (8,55%), Pão (2,11%) e Leite (1,62%).

Desonerações
Esta foi a primeira pesquisa mensal do Dieese após o Governo Federal anunciar, em 8 de março, a isenção fiscal de todos os produtos da cesta básica. Na ocasião, dos 13 produtos pesquisados pelo órgão, cinco tiveram zeradas a incidência de PIS/Pasep-Cofins (carne, manteiga, café, açúcar e óleo). Em Fortaleza, todos estes apresentaram redução no preço, exceto a manteiga cujo valor ficou estável. Os demais itens já eram isentos de tributação.

Com os impostos zerados, restam agora poucos mecanismos ao Governo Federal para segurar a inflação. “O controle via redução de imposto é pontual e não consegue e sustentar ao longo do tempo”, diz Ricardo Coimbra, mestre em economia pela Universidade Federal do Ceará (UFC). Para ele, o Governo deveria atuar no aumento da taxa de juros, como já vem sinalizando, e no controle cambial, comprando mais moeda estrangeira, medidas que desestimulariam o consumo.

“O Governo poderia incentivar os produtores atingidos pela seca, principalmente dos produtos que passam por entressafra, buscando a criação de estoques para esses momentos, e isso não apenas para os da cesta básica”, diz Coimbra.

No entanto, para diminuir os custos da produção de alimentos no País, o economista diz ser fundamental pensar em soluções a médio e longo prazo, como por exemplo, a melhoria da infraestrutura para o escoamento da produção. Um dos principais fatores que pesam no preço dos produtos que chegam à mesa do consumidor.

O Povo

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