O Brasil alcançou autonomia tecnológica para fabricar o dolutegravir, principal antirretroviral usado no tratamento do HIV pelo SUS. A Fundação Oswaldo Cruz concluiu a transferência de tecnologia do medicamento, que é base do programa nacional de PrEP e atualmente utilizado por mais de 770 mil brasileiros. A medida deve reduzir a dependência de importações, diminuir custos para o SUS e garantir mais segurança no abastecimento.
O início da produção em escala aguarda apenas o registro sanitário da Anvisa. Uma vez autorizado, Farmanguinhos, laboratório da Fiocruz ligado ao Ministério da Saúde, poderá distribuir os primeiros lotes feitos integralmente no país. O processo começou em 2020 com parceria entre a Fiocruz e a ViiV Healthcare, detentora da patente, e envolveu adaptação industrial, novos métodos de controle de qualidade e capacitação de equipes.
Na prática, a produção nacional protege o SUS contra oscilações do mercado internacional e crises de abastecimento, além de abrir margem para reduzir gastos com importação, royalties e variação cambial. Incorporado há quase uma década, o dolutegravir é o principal medicamento da política brasileira de HIV por sua alta eficácia, poucos efeitos adversos e forte barreira à resistência viral, sendo também recomendado pela OMS. O acordo com a ViiV prevê ainda uma nova etapa para fabricar no Brasil a combinação de dolutegravir com lamivudina.
O avanço ocorre enquanto surgem tratamentos de longa duração, como o lenacapavir da Gilead, aplicado a cada seis meses e com eficácia próxima de 100% na prevenção em estudos clínicos. O medicamento gerou expectativa de transformar a PrEP, sobretudo para quem tem dificuldade com o uso diário, mas também abriu debate internacional sobre acesso e preço em países de média e baixa renda. Organizações e governos pressionam por mecanismos que ampliem a oferta da tecnologia.
Resumo em tópicos:
- Conquista: Fiocruz conclui transferência de tecnologia e Brasil passa a produzir dolutegravir.
- Importância: Remédio é base do tratamento de HIV no SUS e da PrEP, usado por mais de 770 mil pessoas.
- Próximo passo: falta apenas registro da Anvisa para início da produção em Farmanguinhos.
- Benefícios: menos dependência de importação, redução de custos e mais segurança no abastecimento.
- Histórico: parceria com ViiV Healthcare começou em 2020; Fiocruz adaptou estrutura e capacitou equipes.

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