O Primeiro Comando da Capital (PCC), fundado na década de 1990 em São Paulo, lidera um ranking de facções criminosas nas Américas, segundo estudo do Instituto Igarapé. O PCC, com 30 a 40 mil membros, supera grupos como o Comando Vermelho e cartéis mexicanos, destacando-se por sua capacidade de operar em diversos mercados e sua estrutura descentralizada.
O Primeiro Comando da Capital (PCC), organização criminosa formada na década de 1990 dentro dos presídios do Estado de São Paulo e que hoje tem atuação em todo o território nacional e em diversos países, aparece na liderança de um ranking de facções com presença nas Américas. A lista foi elaborada pelo Instituto Igarapé. As informações são do blog da jornalista Adriana De Luca, no site da CNN Brasil.
Segundo o estudo, publicado nesta quarta-feira, 15, e intitulado “From Narco Cartels to Criminal Networks: The Structural Transformation of Organized Crime in Latin America and the Caribbean” (ou “De Cartéis de Narcotráfico a Redes Criminosas: A Transformação Estrutural do Crime Organizado na América Latina e no Caribe”, em tradução para o português), o PCC superou outros grupos criminosos, como o Comando Vermelho (CV), do Rio de Janeiro, o Cartel de Sinaloa e o Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), ambos do México.
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O levantamento traz uma estimativa de que o PCC tem entre 30 mil e 40 mil integrantes e uma presença documentada em países da América do Sul, além de conexões na Europa e na África.
Os autores do estudo fazem, no entanto, uma ressalva. Segundo eles, o ranking não deve ser interpretado como uma classificação “absoluta” das maiores organizações criminosas do continente, mas uma avaliação comparativa sobre o nível de ameaça representado pelas facções.
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Metodologia
Para elaborar a lista, os pesquisadores levaram em consideração fatores como o tamanho de cada organização, seu alcance territorial, a variedade de suas fontes de receita, a capacidade de coordenação de ações criminosas e a resiliência diante de prisões ou morte de seus líderes.
“O ranking deve ser compreendido como uma avaliação comparativa de ameaças, e não como uma tabela de classificação precisa”, afirmou Robert Muggah, cofundador do Instituto Igarapé e coordenador do estudo, em entrevista à CNN.
Para o especialista, um dos diferenciais do PCC em relação a outras facções criminosas é a capacidade de operar, de forma simultânea, em diversos mercados, além de contar com uma estrutura descentralizada – o que reduz a dependência do grupo em relação a um único líder.
“O PCC se destaca por sua escala e capacidade de operar simultaneamente em diversos setores da economia criminosa. Essa combinação torna seu desmantelamento particularmente difícil”, explica Muggah.
Segundo o pesquisador, o “modelo de negócio” do PCC “é excepcionalmente amplo”.
“O PCC trafica cocaína, mas também se expandiu para a mineração ilegal, extorsão e lavagem de dinheiro. Investigações recentes sugerem que penetrou no setor de combustíveis e utilizou empresas legítimas para movimentar ou proteger seus lucros.”
Comando Vermelho e outras facções
A vice-liderança no ranking do crime elaborado pelo Instituto Igarapé é ocupada pelo Comando Vermelho (CV), facção que teve origem no Rio de Janeiro. O grupo conta com 20 mil a 30 mil integrantes, de acordo com o estudo.
Também fazem parte da lista CJNG, Mara Salvatrucha (MS-13), Barrio 18, Los Choneros, Cartel de Sinaloa, Clan del Golfo e Tren de Aragua.
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Segundo a pesquisa, o crime organizado na América Latina vem passando por uma “transformação estrutural”. Grande parte das organizações criminosas não depende exclusivamente do tráfico de drogas, porque diversificou receitas e ampliou sua presença internacional.
O estudo do Igarapé afirma ainda que as redes criminosas mantêm conexões operacionais em alguns dos maiores portos da Europa, entre os quais os de Roterdã, Hamburgo, Le Havre e Valência. Os locais servem como pontos estratégicos para o envio de cocaína para diversas regiões.
Estados Unidos classificaram PCC e CV como grupos terroristas
No mês passado, o governo dos Estados Unidos classificou o PCC e o CV como Organizações Terroristas Estrangeiras (FTO) e Terroristas Globais Especialmente Designados (SDGT). Segundo o Departamento de Estado norte-americano, as duas facções criminosas representam uma grave ameaça transnacional.
Alguns dias depois, quando começou a anunciar sanções contra pessoas e empresas ligadas ao PCC, o Departamento do Tesouro dos EUA afirmou que o PCC era “a maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental”.
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