Irã ameaça expandir ofensiva no Golfo após ameaças de Trump e nova rodada de ataques

O Irã afirmou nesta quinta-feira (16) que o estreito de Hormuz é uma “linha vermelha” inviolável e advertiu que atacará infraestrutura americana na região do Golfo caso o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cumpra a ameaça de bombardear instalações energéticas iranianas.

Os EUA mantêm bases militares em diversos países aliados do Golfo. Washington realizou, na quarta-feira (15), a quinta noite consecutiva de bombardeios e restabeleceu um bloqueio naval aos portos iranianos. Segundo a Casa Branca, a ofensiva busca forçar a reabertura do estreito de Hormuz.

A via marítima voltou a ser bloqueada por Teerã no último sábado após o colapso de uma frágil trégua entre os países. Após os primeiros bombardeios da nova ofensiva, na noite de quarta-feira, o principal negociador iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, divulgou uma declaração afirmando que o país trava uma “guerra essencial e existencial” contra Washington.

O porta-voz do Exército iraniano, Mohammad Akraminia, declarou nesta quinta que o estreito de Hormuz, por onde passava cerca de um quinto das remessas globais de petróleo e gás antes da guerra, é uma “linha vermelha” para o Irã.

“Os americanos acreditaram que, ao atacar algumas de nossas bases na costa sul do país, poderiam assumir o controle [da via marítima]. No entanto, a República Islâmica do Irã tem capacidade para exercer controle sobre Hormuz a partir de todos os pontos de seu território, e isso nunca depende exclusivamente de costas ou ilhas”, afirmou.

Segundo três autoridades americanas ouvidas pela Reuters, os ataques destinados a forçar a reabertura de Hormuz também miram instalações militares iranianas que Washington pretende destruir antes de lançar operações mais complexas.

Na terça-feira (14), Trump disse que atacará usinas de energia e pontes iranianas na próxima semana, caso Teerã não retomasse as negociações.

O Irã pediu aos seus aliados houthis, no Iêmen, para bloquear a passagem do estreito de Bab el-Mandeb, porta de entrada para o Mar Vermelho, caso Trump cumpra as ameaças, segundo três pessoas ouvidas pela Reuters nesta quinta. A medida abriria uma nova frente de confronto com Washington e colocaria em risco outra das principais rotas globais para o transporte de petróleo e gás.

Uma pessoa próxima aos houthis afirmou que o grupo concluiu os preparativos para atacar embarcações, posicionando mísseis e drones nas proximidades de Bab el-Mandeb, nas montanhas do Iêmen com vista para Hodeidah e o Golfo de Áden, e aguarda apenas a ordem para iniciar as operações.

Akraminia declarou que, se Trump cumprir a ameaça, as Forças Armadas iranianas atacarão “toda a infraestrutura [americana] remanescente” da região e que a resposta será mais severa, mais ampla e mais destrutiva do que os ataques anteriores.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã acusou nesta quinta os EUA de realizarem um “ataque bárbaro” após um hospital oncológico no sudoeste do país ser evacuado por causa de bombardeios nas proximidades. Segundo o regime iraniano, 211 pacientes em quimioterapia tiveram de deixar a unidade.

O Irã informou nesta quinta que atingiu bases militares americanas no Kuwait e na Jordânia, alertando seus vizinhos de que permitir ataques americanos contra seu território não ficará sem resposta.

“Nossos vizinhos devem saber que fornecer bases aos americanos e permitir que disparem contra o território iraniano é inaceitável e não ficará sem resposta”, afirmou o Exército iraniano em comunicado.

No início da manhã desta quinta-feira, no Oriente Médio, sirenes soaram no Bahrein, enquanto o Kuwait informou que estava respondendo a “ameaças de drones hostis”.

O Exército iraniano declarou ter atacado a Base Aérea de Al Azraq, na Jordânia, com mísseis balísticos. Já a Guarda Revolucionária afirmou ter destruído o centro de comunicações por satélite e o radar de alerta antecipado da Base Aérea Ali Al Salem, além de um píer militar dos EUA na região de Al Shuaiba, no Kuwait.

O Ministério da Defesa do Bahrein informou que os sistemas de defesa aérea do país interceptaram e destruíram diversos ataques aéreos iranianos direcionados ao reino nesta quinta-feira.

A mais recente escalada do conflito e as ameaças do Irã aumentam o temor de um retorno a uma guerra em grande escala no Oriente Médio. Apesar das ofensivas, o Paquistão, que tem atuado como mediador no conflito, afirmou nesta quinta que incentivará os EUA e o Irã a interromperem a violência e retomarem as negociações com base em um memorando de entendimento .

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