Dois navios foram atingidos no estreito de Hormuz na madrugada desta terça-feira (7), e o Irã afirmou que não haverá novas negociações de paz enquanto o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não interromper suas repetidas ameaças de reiniciar a guerra.
As tensões ocorrem em meio às cerimônias fúnebres de Ali Khamenei, ex-líder supremo do Irã, morto no início do conflito no Oriente Médio. Um cortejo fúnebre em Teerã reuniu milhares de pessoas na segunda e seguiu para a cidade sagrada de Qom nesta terça.
Um navio-tanque de gás natural liquefeito (GNL), o Al Rekayyat, do Catar, foi atingido durante a madrugada após ser alvo de um ataque, que provocou um incêndio na casa de máquinas. A embarcação emitiu sinais de socorro e pediu assistência. A tripulação foi evacuada em segurança, mas o fogo e a fumaça impediram uma avaliação imediata da extensão dos danos.
O Qatar culpou o Irã pelo incidente e chamou o episódio de “ataque inaceitável”. Teerã não comentou, e uma autoridade americana, que falou sob condição de anonimato, afirmou que as indicações iniciais apontam que o regime persa realizou os disparos.
Um petroleiro de bandeira saudita, identificado por fontes de segurança marítima como o Wedyan, também foi atingido na costa de Omã. A causa do incidente não foi confirmada.
“Mayday, mayday, mayday. Aqui é o navio Al Rekayyat, navio de GNL Al Rekayyat. Estamos sendo atingidos por um drone no lado de bombordo, sobre a casa de máquinas”, disse o capitão do navio em uma chamada de rádio gravada e analisada pela Reuters. “Situação: incêndio na casa de máquinas e muita fumaça.”
Ele afirmou que a tripulação estava em segurança, mas que o navio havia ficado sem propulsão, solicitando ajuda de navios que estivessem na região.
Segundo dados de navegação, o Al Rekayyat pertence à empresa qatari Nakilat, uma das maiores operadoras de navios de GNL do mundo, e navegava com o sistema automático de identificação desligado. O Wedyan é operado pela empresa saudita Bahri.
Os incidentes, os primeiros ataques registrados no estreito desde o início do luto nacional no Irã, reforçam que a segurança da navegação no Golfo continua instável, apesar do acordo provisório firmado entre Washington e Teerã no mês passado.
Segundo funcionários do setor marítimo, armadores enfrentam um dilema. Utilizar as águas controladas pelo Irã, consideradas mais seguras, significaria reconhecer o controle iraniano sobre o estreito. Por outro lado, navegar pelo canal patrulhado por EUA e Omã ainda apresenta risco de ataques.
Os líderes religiosos do Irã passaram a exercer um controle renovado sobre a principal rota marítima de transporte de energia do mundo, onde pretendem instalar um sistema permanente de cobrança de taxas —uma mudança que representaria uma grande alteração no equilíbrio de poder em uma região na qual Washington atua como garantidor da segurança há gerações.
A liderança iraniana demonstrou manter firme controle sobre o país durante a semana de luto pelo aiatolá Ali Khamenei. O caixão do líder foi conduzido pelas ruas da cidade sagrada de Qom nesta terça-feira. Os participantes prometeram vingar Khamenei, e alguns exibiam cartazes com a inscrição “Matem Trump”.
Uma procissão fúnebre de dimensões semelhantes ocorreu nas ruas de Teerã na segunda-feira.
A guerra está suspensa em razão de um acordo de paz provisório firmado no mês passado, que prevê um período de 60 dias para negociações de um pacto permanente. Uma rodada de negociações indiretas realizada no Qatar terminou na semana passada sem avanços.
Trump voltou a ameaçar retomar os bombardeios. “Ou vamos fazer um acordo ou vamos terminar o serviço”, afirmou o presidente americano a jornalistas no Salão Oval.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que, nos termos do memorando de cessar-fogo provisório, as negociações para um acordo definitivo “não terão início enquanto as ameaças continuarem”. “Honre sua assinatura”, escreveu o chanceler na plataforma X.
O ministro das Relações Exteriores de Israel, Gideon Saar, confirmou nesta terça-feira que a próxima rodada de negociações com o Líbano será realizada em Roma, enquanto os dois países buscam avançar sobre um acordo firmado no mês passado com apoio dos Estados Unidos.
O chanceler acrescentou que Tel Aviv “não tem ambições territoriais” no país vizinho.

