A bancada do PT no Senado deve eleger o ex-ministro da Educação Camilo Santana como novo líder do partido na Casa na terça-feira 7. O parlamentar cearense assumirá o posto no momento em que a base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta se reorganizar no Legislativo. Essa troca representa a segunda grande dança das cadeiras dos governistas em menos de duas semanas.
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A reconfiguração do partido começou depois de o senador Jaques Wagner perder a liderança do governo, em 24 de junho. A Polícia Federal (PF) vasculhou os endereços do baiano na Operação Compliance Zero, que apura fraudes e propinas ligadas ao Banco Master. Lula colocou a senadora Teresa Leitão na vaga de Wagner no dia seguinte e agora aciona Santana para chefiar a bancada da própria legenda.
Ex-ministro carrega histórico de investigações e pressão na Câmara
Camilo Santana acumula denúncias que desgastam a sua biografia política em diferentes períodos. Em 2025, a Câmara dos Deputados abriu frentes de investigação contra o petista por suspeitas de superfaturamento em compras de materiais didáticos no Ministério da Educação. Pouco depois, em março de 2026, a PF localizou mensagens de texto no celular do deputado Junior Mano (PSB) que apontam repasses e compromissos financeiros suspeitos com o ex-ministro no Ceará.
O histórico de problemas com a Justiça acompanha o senador desde o início de sua trajetória no comando do Executivo cearense. Em 2016, o Ministério Público Federal pediu a cassação do mandato de Santana por abuso de poder político e uso eleitoral da máquina pública na campanha de 2014. Os procuradores revelaram que a gestão dele concentrou a assinatura de 70% dos convênios com prefeituras no início do período eleitoral, liberando verbas mesmo sem a existência de obras.
Lula barrou candidatura para blindar palanque nacional
O Palácio do Planalto interferiu diretamente no futuro eleitoral de Santana para garantir a sua permanência no xadrez de Brasília. Em abril de 2026, o ex-ministro anunciou a saída do primeiro escalão do governo e planejava disputar o comando do Ceará na eleição atual. Lula barrou o projeto regional do aliado e exigiu que ele atuasse estritamente como coordenador e cabo eleitoral de sua campanha à reeleição.
Com o novo cargo, o parlamentar do Ceará terá a obrigação de unificar o discurso dos senadores de esquerda e frear o avanço das pautas da oposição. Os assessores presidenciais esperam que a indicação de Santana estanque a sangria na base aliada, exposta pelas investigações bancárias que derrubaram a antiga liderança do governo no Parlamento.
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