O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa, nesta terça-feira, 30, da 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul em Assunção, Paraguai, onde ocorre a transferência da presidência temporária do bloco do Paraguai para o Uruguai. O encontro, que acontece em um contexto de ascensão de lideranças conservadoras na América do Sul, abordará a expansão comercial do Mercosul, incluindo negociações com o Japão. A situação da Venezuela, afetada por terremotos, também será discutida.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participa, nesta terça-feira, 30, da 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul e Estados Associados, em Assunção, no Paraguai. O encontro marca a transferência da presidência temporária do bloco do Paraguai para o Uruguai e ocorre em um cenário de mudanças políticas na América do Sul, com o avanço de lideranças conservadoras em diferentes países da região.
Entre os chefes de Estado e líderes confirmados estão o presidente da Argentina, Javier Milei, o presidente do Equador, Daniel Noboa, e o chileno José Antonio Kast. Também participam Lula e o presidente uruguaio, Yamandú Orsi, representantes da esquerda entre os principais nomes presentes no encontro.
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A cúpula ocorre em um contexto de fortalecimento de governos e lideranças conservadoras na América do Sul.
Eleições recentes na Colômbia e no Peru reforçaram a chamada “Onda Azul”, movimento que, segundo integrantes do governo brasileiro, pode reduzir a influência de fóruns multilaterais, como a Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac) e a União de Nações Sul-Americanas (Unasul).
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Diante desse cenário, o Palácio do Planalto considera o Mercosul um dos principais instrumentos de integração regional. Um dos principais temas da reunião será a expansão da rede de parceiros comerciais do Mercosul. O bloco deve anunciar o início das negociações para um acordo de livre-comércio com o Japão.
No começo deste mês, Lula discutiu o assunto com a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi. Com a formalização das negociações, os países iniciarão as rodadas para definir os termos do tratado. A expectativa é que o acordo inclua comércio de bens, serviços e compras governamentais.
Além do Japão, o Mercosul mantém negociações com Canadá e Emirados Árabes Unidos, consideradas próximas da fase final, além de discutir a ampliação do acordo de preferências tarifárias firmado com a Índia.
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A situação da Venezuela também deve ocupar parte das discussões entre os líderes. A reunião ocorre poucos dias depois dos terremotos que atingiram o país e deixaram, segundo o balanço mais recente, 1.719 mortos e mais de 5 mil feridos.
Brasil, Argentina e Paraguai mobilizaram ajuda humanitária para a população venezuelana, com envio de medicamentos, equipamentos e equipes de resgate. A expectativa é que os chefes de Estado façam manifestações de solidariedade durante a cúpula.
No último domingo, 28, o governo brasileiro resgatou 13 cidadãos que estavam na Venezuela no momento dos abalos sísmicos. O grupo retornou ao país em uma aeronave da Força Aérea Brasileira.
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O governo, comandado por Delcy Rodríguez, decretou estado de emergência. Segundo estimativas da Organização das Nações Unidas, mais de 50 mil pessoas continuam desaparecidas. As regiões mais afetadas foram Caracas e o Estado de La Guaira.
Lula volta ao Brasil logo depois de cúpula do Mercosul
A permanência de Lula em Assunção será breve. A previsão é que o presidente desembarque pela manhã e retorne ao Brasil no início da tarde, logo no encerramento da reunião, sem espaço significativo para encontros bilaterais.
De volta a Brasília, Lula participa, às 17 horas, do lançamento do Plano Safra voltado à agricultura familiar, no Palácio do Planalto. A agenda integra uma intensificação de compromissos prevista para esta semana, a última antes do período de restrições eleitorais para candidatos que disputarão as eleições de outubro.

