Defesa pede prorrogação de prisão domiciliar de Bolsonaro

A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro negou em manifestação enviada ao Supremo Tribunal Federal (STF) neste sábado (27) que o caso da pistola Glock 9 mm apreendida com um segurança do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) durante uma blitz configure uma “falta grave”. Os advogados disseram que a arma estava “regular” e pediram que Bolsonaro seja mantido em prisão domiciliar.

A manifestação foi apresentada depois que o ministro Alexandre de Moraes abriu prazo para que as partes se pronunciassem sobre a situação do ex-presidente. Moraes deverá decidir nos próximos dias se Bolsonaro continuará em prisão domiciliar ou se haverá mudança nas condições impostas a ele.

A arma foi apreendida durante uma blitz da Polícia Militar em Taguatinga, no Distrito Federal. Segundo o relato apresentado no caso, a pistola estava com um servidor do GSI, que afirmou às autoridades que o armamento pertencia a Bolsonaro e estava sendo levado para manutenção.

Em depoimento à Polícia Civil, Bolsonaro confirmou ser o dono da arma. Segundo a defesa, ele disse que a pistola estava registrada regularmente e que seria usada para proteção pessoal dele e de sua família.

Os advogados afirmaram na manifestação enviada ao STF neste sábado que não houve descumprimento das condições da prisão domiciliar. Segundo a defesa, a arma deveria estar no endereço residencial de Bolsonaro, já que não havia ordem judicial para cancelamento do registro ou entrega do armamento.

A defesa também sustentou que Bolsonaro percebeu um defeito na pistola ao manuseá-la e pediu a um de seus seguranças, um sargento do Exército com conhecimento técnico sobre aquele modelo, que verificasse o problema. Para os advogados, o episódio não tem relevância criminal e não configura falta disciplinar.

A Procuradoria-Geral da República (PGR) também se manifestou no caso após ser intimada pelo ministro Moraes. Num parecer, o órgão pediu que Moraes aguarde a conclusão do inquérito aberto pela Polícia Civil do Distrito Federal. Segundo o procurador-geral da República, Paulo Gonet, a apuração “não indica, neste momento processual”, uma situação concreta que caracterize falta disciplinar ou descumprimento das medidas cautelares impostas ao ex-presidente.

Bolsonaro já havia prestado depoimento à Polícia Civil na terça-feira (23), por cerca de cinco minutos, na residência onde cumpre prisão domiciliar. Segundo seu advogado, Paulo Cunha Bueno, o ex-presidente confirmou que pediu ao segurança para avaliar a pistola porque ela não estava funcionando.

Na manifestação, os advogados afirmam que a manutenção prisão domiciliar é necessária em razão do estado de saúde de Bolsonaro.

Moraes havia concedido em 24 de março a prisão domiciliar em caráter humanitário a Bolsonaro pelo prazo inicial de 90 dias. Como esse período já terminou, caberá ao ministro agora decidir se mantém a medida ou se determina outra providência no caso.

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