Explosão mata 13 trabalhadores em instalação de gás natural no Qatar

Treze pessoas morreram e dezenas ficaram feridas após uma explosão no enorme complexo de gás natural liquefeito (GNL) de Ras Laffan, no Qatar, que ocorreu no domingo (21) enquanto trabalhadores reiniciavam operações paralisadas por um ataque iraniano em março.

As autoridades informaram que um “acidente técnico” ocorreu na instalação de abastecimento de gás local de Barzan, à noite.

O Qatar, que abriga uma importante base militar dos EUA, tem sofrido repetidos ataques de mísseis e drones iranianos durante a guerra no Irã, que deixou cerca de 20% do fornecimento global de GNL retido no Golfo antes que alguns embarques começassem a ser retomados recentemente.

Em entrevista a jornalistas nesta segunda-feira (22), o ministro de Energia do Qatar, Saad al-Kaabi, disse que 13 pessoas morreram e 66 ficaram feridas. Todos os mortos na explosão eram da Índia e do Paquistão, afirmou.

“Este foi um acidente, não uma sabotagem ou ato hostil”, afirmou. Segundo ele, a produção da planta foi intencionalmente interrompida por completo em dezembro de 2025 devido a requisitos urgentes de manutenção. As atividades haviam sido retomadas na última sexta-feira.

Não há risco para o meio ambiente e a capacidade de exportação da planta não foi afetada, ainda de acordo com o ministro. Kaabi afirmou que uma investigação foi iniciada sobre a explosão, sentida em toda a região central de Doha, causando pânico em moradores a mais de 70 quilômetros de distância.

DESAFIOS NA RETOMADA

O incidente destaca os desafios que os produtores do Golfo enfrentam para retomar a produção de petróleo e gás em instalações paralisadas durante a guerra com o Irã. O Qatar está entre os mais afetados pelo fechamento do estreito de Hormuz, já que não possui rotas alternativas para exportar seu GNL.

Reiniciar operações de GNL é um processo particularmente complexo devido ao resfriamento deliberadamente lento para evitar choque térmico. Os trens de GNL não podem ser reiniciados simultaneamente e devem ser reativados em sequência.

No processo de liquefação —que transforma o gás em estado líquido ao resfriá-lo a aproximadamente -162°C— o resfriamento é a etapa mais crítica.

A planta onde ocorreu a explosão, a instalação de abastecimento de gás de Barzan, faz parte da Cidade Industrial de Ras Laffan, o vasto complexo de produção e exportação de GNL da QatarEnergy, com capacidade de produção anual de 77 milhões de toneladas métricas.

Barzan fornece gás via gasoduto para a indústria local e geração de energia, além de poder produzir gás liquefeito de petróleo e outros produtos para exportação.

Um ataque de mísseis iranianos em março atingiu duas unidades de processamento de gás de Ras Laffan, reduzindo cerca de 17% da capacidade de exportação de GNL do Qatar, que, segundo o CEO da QatarEnergy disse à Reuters, levará de três a cinco anos para ser reparada.

A guerra também forçou a empresa a retirar cerca de 10 mil trabalhadores de plataformas offshore e plantas de processamento em terra. A empresa não relatou feridos durante o ataque de mísseis de março.

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