Mensagens encontradas pela Polícia Federal (PF) no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro citam o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), em uma conversa sobre o envio de informações ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à base aliada. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


Os diálogos fazem parte do material apreendido no âmbito da Operação Compliance Zero. Segundo a investigação da PF, a troca de mensagens ocorreu em 17 de julho de 2024 entre Vorcaro e Fernando Mascarenhas Filho, então diretor comercial do Banco Master.
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Na conversa, Mascarenhas afirmou que o banco era visto como próximo do governo federal, em comparação aos irmãos Joesley e Wesley Batista, controladores da J&F. Em seguida, Vorcaro respondeu que a associação seria positiva para a imagem da instituição e sugeriu o envio da informação a Lula e à base governista.
“Isso aí é marketing para nós”, escreveu o banqueiro. “Manda para o Lula pra base aliada.”
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Mascarenhas respondeu: “Vou mandar então pro tio Guiga e Jaques”. Segundo a PF, a referência seria ao publicitário Guilherme Sodré Martins, conhecido como Guiga, e a senador Jaques Wagner.
PF vê proximidade entre Vorcaro e lideranças políticas
Ao analisar o conteúdo do aparelho, a PF concluiu que as mensagens sugerem proximidade entre Vorcaro e pessoas com influência política na Bahia. Os investigadores sustentam que o banqueiro mantinha contato com Wagner, participava de encontros com o senador e possuía acesso direto ao seu telefone celular.
Na quinta-feira 18, a Polícia Federal cumpriu mandado de busca e apreensão contra Jaques Wagner na nona fase da Operação Compliance Zero. A investigação apura suspeitas de que o parlamentar tenha recebido vantagens indevidas por intermédio do empresário Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro no Master.
A PF investiga a compra de um apartamento avaliado em cerca de R$ 2,5 milhões e pagamentos de aproximadamente R$ 3,5 milhões destinados a uma empresa ligada à família do senador.
Os investigadores também apuram a atuação de Wagner em propostas relacionadas à ampliação do crédito consignado, ao aumento da cobertura do Fundo Garantidor de Créditos e ao acompanhamento das negociações envolvendo a frustrada venda do Master ao Banco Regional de Brasília.
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Segundo a investigação, essas iniciativas eram estratégicas para os interesses do banco de Vorcaro. A PF também afirma que Wagner manteve interlocução direta com Augusto Ferreira Lima sobre propostas legislativas e iniciativas parlamentares que poderiam beneficiar o Master.
Em nota, o senador negou qualquer relação com Vorcaro. Wagner afirmou que não pode ser responsabilizado por conversas entre terceiros das quais não participou e declarou que “não existiu intermediação e não existe relação”.
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