Análise: O impacto dos escândalos do Master no PT e PL

O presidente Lula (PT) telefonou para o senador Jaques Wagner (PT-BA), na quinta-feira (18), e pediu para o petista se defender das acusações do caso Master. O líder do governo no Senado é um dos novos alvos da Compliance Zero, operação que investiga as fraudes envolvendo o banco de Daniel Vorcaro.

Ao WW, analistas debateram quem teria legitimidade e credibilidade para conduzir as investigações envolvendo o Master, diante de um cenário em que múltiplos atores políticos — de diferentes partidos — aparecem como alvos ou como potenciais obstáculos ao avanço das apurações.

Para Christopher Garman, diretor-executivo da Eurasia Group, o ator mais relevante nesse processo é o ministro André Mendonça, relator do caso no STF (Supremo Tribunal Federal).

“Tudo indica que ele tem um compromisso e uma disposição de levar essas investigações a fundo, mesmo que gere uma reação contrária dentro do próprio tribunal”, afirmou Garman. Ele destacou ainda a autonomia da PF (Polícia Federal) como um fator favorável ao avanço das apurações.

Racha no Supremo Tribunal Federal

Um dos pontos centrais do debate foi a divisão interna no STF. De um lado, um grupo de ministros que apoia o aprofundamento das investigações; de outro, ministros que enxergam o escândalo como uma narrativa construída, em parte, pela imprensa.

O analista de Política da CNN Caio Junqueira apontou que minorias no Executivo, no Legislativo e no Supremo tentam levar o caso adiante, “lideradas por André Mendonça“.

Na contraparte, o analista identificou a liderança do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e Gilmar Mendes, do STF, como forças que fazem frente a esse movimento.

A âncora da CNN Thais Herédia destacou que Alcolumbre apareceu cercado por senadores de diferentes partidos — de Randolfe Rodrigues (PT-AP) a Bia Kicis (PL-DF) — em defesa de Jaques Wagner (PT-BA), alvo da operação Compliance Zero.

O risco do “acordão” e a “pequena corrupção”

Os analistas debateram a possibilidade de um “acordão” político que sufoque as investigações, nos moldes do que teria ocorrido com a Lava Jato. Garman ponderou que, mesmo que esse tipo de acordo venha a acontecer, ele tende a demorar para ser construído.

“Podemos ter um acordão lá na frente, mas o que nós estamos discutindo são os próximos três meses antes da eleição presidencial”, disse ele.

Thais Herédia chamou atenção para o que classificou como “pequena corrupção” — práticas como o uso de aviões particulares de investigados por autoridades públicas e o recebimento de ingressos para shows no exterior no valor de dezenas de milhares de reais.

“A investigação vai curar isso?”, questionou ela. Garman reconheceu o risco de banalização dessas condutas, mas lembrou que crises de corrupção historicamente impulsionaram a criação de novas legislações e ferramentas de combate à corrupção.

Impacto sobre o próximo presidente

Caio Junqueira foi enfático ao afirmar que a sustentabilidade política do próximo presidente estará diretamente ligada ao destino dessas investigações. “Toda a agenda do Brasil, a partir de 2027, estará amarrada no avanço ou não dessas investigações”, disse ele.

Segundo o analista, acordos políticos em torno do caso Master podem paralisar até mesmo agendas econômicas e de modernização do Estado. Ele lembrou ainda que o próximo presidente indicará quatro ministros do STF, o que torna o tribunal um palco ainda mais estratégico para a definição dos rumos do escândalo.

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