PF faz buscas contra desembargador por venda de sentenças

A Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Gemini nesta segunda-feira, 8, para desarticular um esquema de venda de sentenças judiciais e ocultação de bens no Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT). Policiais cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços em Cuiabá. Os alvos principais da ofensiva foram o desembargador Dirceu Santos, o deputado estadual Faissal Calil (PL) e o advogado Bruno Oliveira Castro.

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A Justiça autorizou a realização de buscas pessoais e determinou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e de comunicações de todos os envolvidos no caso. O grupo é suspeito de cometer crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e advocacia administrativa, delito que ocorre logo que um funcionário público usa a sua função para patrocinar interesses privados.

O deputado estadual de MT Faissal Calil e o advogado Bruno Oliveira Castro | Fotos: ReproduçãoO deputado estadual de MT Faissal Calil e o advogado Bruno Oliveira Castro | Fotos: Reprodução
O deputado estadual de MT Faissal Calil e o advogado Bruno Oliveira Castro | Fotos: Reprodução

Investigação descobriu R$ 14,6 milhões atípicos

O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) já havia afastado o desembargador Dirceu Santos do cargo em março deste ano por tempo indeterminado. A Corregedoria do órgão identificou indícios de que o magistrado proferia despachos favoráveis em troca de propina, com a ajuda de intermediários. O pente-fino financeiro localizou uma movimentação suspeita de R$ 14,6 milhões nas contas bancárias do juiz no decorrer de cinco anos.

Dirceu Santos é o terceiro integrante do tribunal mato-grossense punido desde a abertura da apuração. Os desembargadores Sebastião de Moraes Filho e João Ferreira Filho também perderam as suas funções em agosto de 2024. O CNJ descobriu que os magistrados recebiam propinas recorrentes para julgar recursos de acordo com as orientações de escritórios parceiros.

Celular de advogado assassinado revelou esquema

O estopim da crise no Judiciário começou com o assassinato do advogado Roberto Zampieri, morto a tiros dentro do próprio veículo em dezembro de 2023. Os peritos da polícia extraíram mensagens e arquivos guardados no celular da vítima que detalhavam o funcionamento do balcão de negócios. O material revelou uma organização criminosa estruturada como empresa, envolvida também em espionagem e assassinatos encomendados com o apoio de militares.

O rastro das conversas telefônicas de Zampieri fez as investigações sobre corrupção na magistratura avançarem para outros Estados do país. O desdobramento dos relatórios da PF provocou o afastamento recente de mais cinco juízes e desembargadores no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul.

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