A Administração Nacional da Aeronáutica e Espaço (Nasa) deixou astronautas da Estação Espacial Internacional (ISS) em estado de alerta, depois que um vazamento de ar no módulo russo Zvezda apresentou sinais de agravamento.
A medida levou cinco integrantes da tripulação a se abrigarem temporariamente na cápsula Crew Dragon, da SpaceX, enquanto técnicos avaliavam a situação. Horas depois, a agência norte-americana cancelou o alerta e autorizou o retorno às atividades normais. O episódio ocorreu nesta sexta-feira, 5, e envolveu astronautas da missão Crew-12, além de outro integrante da Expedição 74.
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De acordo com autoridades da Nasa, a taxa de vazamento dobrou nos últimos dias, passando de aproximadamente 0,45 quilo para cerca de 0,9 quilo de ar por dia. O problema está concentrado no compartimento de transferência conhecido como PrK, ligado ao módulo Zvezda.
Depois de cerca de duas horas em procedimento de segurança, os astronautas receberam autorização para deixar a Crew Dragon e retomar a rotina na estação. A decisão foi tomada depois que a Roscosmos suspendeu temporariamente os reparos para coletar mais dados e reavaliar o comportamento do vazamento.
Divergência entre Nasa e Roscosmos
As fissuras localizadas no compartimento de transferência do módulo Zvezda foram identificadas pela primeira vez em 2019. De lá para cá, engenheiros russos realizam reparos periódicos para conter a perda de pressão. Nasa e Roscosmos discutem há meses — e, segundo alguns relatórios técnicos, há anos — as causas exatas do problema e as soluções definitivas para a estrutura.
A Roscosmos informou ter encontrado dois pontos de vazamento durante as inspeções mais recentes. Um deles já foi vedado com material selante. O segundo continua sob avaliação. A agência russa afirmou que a pressão interna da estação permanece estável e que não existe ameaça imediata à segurança da tripulação.
Embora as duas agências trabalhem em conjunto na operação da ISS, o episódio expôs diferenças de avaliação sobre o nível de risco representado pelo vazamento.
Enquanto a Roscosmos sustentou que não havia perigo imediato, a Nasa optou por ativar o protocolo conhecido como “safe haven”, no qual os astronautas permanecem em veículos de retorno prontos para deixar a estação caso a situação se deteriore.
Conforme a Reuters, também houve divergências sobre a forma de executar os reparos. Cosmonautas da Rússia planejavam acessar a área danificada por meio de um procedimento que gerou questionamentos entre técnicos norte-americanos. Os trabalhos acabaram interrompidos para nova análise.
Estação envelhecida
A Estação Espacial Internacional permanece habitada continuamente desde 2000 e é considerada um dos maiores projetos de cooperação científica da história. O módulo Zvezda, justamente onde ocorre o vazamento, faz parte da estrutura original do segmento russo e entrou em operação há mais de duas décadas.
O novo incidente ocorre em meio a discussões sobre o futuro da ISS. A estação tem encerramento previsto para o início da próxima década, mas parlamentares norte-americanos defendem a extensão das operações até 2032. O envelhecimento de componentes críticos, como o Zvezda, tornou-se um dos principais desafios para manter a segurança da plataforma orbital.
Apesar do alerta, não houve necessidade de evacuação. A tripulação permaneceu em segurança durante todo o episódio, e a investigação sobre a origem e a gravidade das fissuras continua em andamento.
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