Declaração do presidente aconteceu nesta quarta-feira (3), durante a reunião ministerial em Brasília

O presidente Lula (PT) afirmou, nesta quarta-feira (3), que foi pego de surpresa pelo anúncio de novas tarifas comerciais aplicadas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. Durante reunião ministerial no Palácio do Planalto, o petista declarou que o país “não pode aceitar” o tratamento do governo norte-americano e informou que pretende enviar uma nova carta ao presidente Donald Trump.
Segundo Lula, o governo brasileiro não recebeu um comunicado oficial sobre as novas taxas antes do anúncio. O presidente relembrou o encontro de três horas que teve com Trump em maio, quando entregou quatro documentos sobre temas como combate ao crime organizado e exploração de terras raras. Na ocasião, teria ficado acordado um prazo de 30 dias para que os ministros de comércio de ambos os países resolvessem divergências.
“Na última reunião, quando eu estive lá […] tivemos uma conversa com o Trump de três horas, e entregamos os assuntos que o Brasil quer discutir. Na hora da relação comercial, houve uma divergência entre o meu ministro e o ministro do comércio deles, eu propus ao Trump: ‘Já que não tem acordo entre os dois ministros, vamos dar trinta dias para que eles se entendam’”.
Lula ressaltou que esse prazo de um mês ainda não terminou e que esperava uma conclusão dialogada antes de novas medidas serem tomadas.
“Não se concluiu nada. Por isso, a nossa surpresa com a decisão de mais um comunicado, de mais uma taxação com relação ao Brasil.”
As medidas propostas pelos Estados Unidos ocorrem após investigações de órgãos norte-americanos. Na terça-feira (2), um relatório concluiu que 60 países, incluindo o Brasil, falharam na fiscalização de mercadorias produzidas com trabalho forçado, o que gerou a proposta de uma tarifa adicional de 12,5%. Essa sobretaxa deve se somar a outra taxa de 25% anunciada na segunda-feira (1º). Caso entrem em vigor, as tarifas somadas chegariam a 37,5%.
O presidente afirmou que acreditava ter estabelecido uma nova fase na relação diplomática após a entrega de documentos estratégicos ao governo Trump.
“Eu saí de lá convencido de que a gente estava estabelecendo uma nova lógica no relacionamento democrático e civilizado entre Brasil e Estados Unidos. E confesso a vocês que fui pego de surpresa ontem com a decisão deles de ontem, e a de antes de ontem”, disse Lula.
Críticas a Flávio Bolsonaro
O presidente também mencionou a existência de brasileiros que estariam incentivando as sanções contra o próprio país com o objetivo de obter ganhos eleitorais. Sem citar nomes, em referência a declarações do senador Flávio Bolsonaro, Lula criticou a postura do opositor.
“O que um imbecil desses não percebe é que quem é prejudicado é o povo, não o Lula. Ou seja, pedir uma punição ao país na perspectiva de derrotar uma candidatura, ou de levar vantagem, é de uma grosseria que eu não posso encontrar outro nome, a não ser dizer: em qualquer outro mundo, em qualquer outro momento histórico, isso seria chamado de traição da pátria.”
Como resposta, o presidente brasileiro reforçou que pretende contestar as medidas por meio de canais oficiais e da imprensa internacional, defendendo que as taxas são equivocadas e desnecessárias para o cenário global.
“Eu ainda vou mandar outra carta ao presidente Trump. Vou escrever quantos artigos forem necessários escrever na imprensa americana e na imprensa mundial, para mostrar que eles estão errados, que eles estão equivocados, e que eles estão induzindo o mundo a uma violência desnecessária.”
*Matéria em atualização

