Os Estados Unidos e o Irã voltaram a trocar ataques nas últimas 24 horas, aumentando a tensão em torno das negociações para encerrar a guerra. Teerã atribuiu a lentidão das conversas às posições contraditórias de Washington e à continuidade dos ataques israelenses no Líbano, além de condicionar qualquer acordo de paz ao cumprimento do cessar-fogo no país.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, afirmou nesta segunda-feira (1º) que os dois países ainda não chegaram a um acordo. “A outra parte está constantemente mudando suas posições e apresentando novas exigências ou demandas contraditórias”, disse.
Baghaei também declarou que o regime considera as ações de Israel na região inseparáveis das ações dos EUA, reafirmando que qualquer acordo para encerrar o conflito deverá incluir a implementação da trégua no Líbano.
As declarações foram dadas após o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, ordenar a retomada dos ataques aos subúrbios de Beirute, reduto do Hezbollah. Milhares de moradores fugiram da capital, congestionando as estradas, numa cena que virou rotina para parte dos libaneses desde o começo do conflito.
O Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) convocou uma reunião de emergência, a pedido da França, para discutir a situação no país. Embora Líbano e Israel tenham concordado com uma trégua em 17 de abril, o acordo nunca chegou a ser plenamente respeitado.
Após a expansão da campanha militar, o porta-voz da União Europeia, Anouar El Anouni, pediu nesta segunda-feira que Tel Aviv respeite a soberania do país vizinho. O presidente do Líbano, Joseph Aoun, afirmou que o país enfrenta uma “agressão cruel e condenável”.
O Exército israelense avançou em sua invasão do sul do Líbano e tomou controle do estratégico Castelo de Beaufort. Nesta segunda, o governo de Netanyahu ordenou a evacuação de nove aldeias nas regiões de Sidon e Jezzine. Cidades e vilarejos da região foram devastados devido à ofensiva.
O ministro da Defesa israelense, Israel Katz, afirmou nesta segunda-feira que pretende estabelecer uma zona sob controle militar na região do rio Litani e advertiu que “não haverá calma em Beirute” enquanto os ataques do Hezbollah continuarem.
Na outra frente do conflito, os militares americanos informaram que atacaram centros de comando no sul do Irã durante o fim de semana.
O Comando Central dos EUA, responsável pelas operações militares no Oriente Médio, afirmou em comunicado que a ação foi uma retaliação ao abate de um drone americano pelo Irã na região.
Em resposta, a Guarda Revolucionária declarou nesta segunda-feira ter atacado uma base aérea utilizada pelos EUA, sem identificar qual instalação foi atingida. As defesas aéreas do Kuwait, onde está localizada uma importante base militar americana, interceptaram uma ofensiva de mísseis e drones enquanto sirenes soavam em todo o país, informou a agência estatal de notícias Kuna, sem fornecer mais detalhes.
As negociações para encerrar o conflito continuam de forma nebulosa, enquanto o presidente Donald Trump continua a fazer declarações contraditórias sobre o avanço das conversas.
Em maio, o americano afirmou que um acordo estava próximo, mas as discussões acabaram estagnando. Trump afirmou que seu principal objetivo na guerra é impedir que o Irã desenvolva uma arma nuclear utilizando seu urânio altamente enriquecido. Teerã tem negado de forma consistente qualquer intenção nesse sentido.
Trump está sob pressão para reabrir o estreito de Hormuz e conter a alta dos combustíveis antes das eleições de meio mandato de novembro. Ao mesmo tempo, enfrenta uma possível reação negativa de setores mais linha-dura em relação ao Irã dentro de seu próprio partido caso faça concessões a Teerã.
As duas partes continuam em desacordo sobre várias outras questões, como as exigências iranianas de suspensão das sanções e a liberação de dezenas de bilhões de dólares em receitas do petróleo iraniano congeladas em bancos estrangeiros.

