O Irã começou a restabelecer o acesso à internet, na última terça-feira, 26, depois de 88 dias de corte durante a guerra contra Israel e os Estados Unidos. Apesar da retomada do serviço, moradores relatam instabilidade na conexão.
“Trabalho em quatro áreas”, disse a iraniana Rana à agência francesa RFI. “Três têm relação com design gráfico, marketing, publicidade e eventos culturais, e todas dependem diretamente da internet. Eu não conseguia trabalhar de jeito nenhum. A internet é uma necessidade.”
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O regime persa ampliou os bloqueios digitais no começo da guerra, sob a justificativa de proteger a segurança nacional e impedir ataques cibernéticos.
População teme volta do conflito
Mesmo com a retomada gradual da internet, iranianos afirmaram à RFI que temem uma nova escalada do conflito, atualmente sob cessar-fogo temporário.
“Sinto que ainda não há nada seguro, mesmo que o cessar-fogo esteja em vigor e haja notícias de um possível acordo”, afirmou Amir, um profissional de informática de Teerã. “Todos os dias ainda nos perguntamos: ‘Haverá ataques com mísseis nesta noite?’”.
Nesta quarta-feira, 27, forças do comando central dos EUA derrubaram quatro
drones iranianos de ataque unidirecional que representavam ameaça na área.
Irã mantém controle sobre redes sociais
O Irã já mantinha restrições permanentes a plataformas como X, Telegram, Facebook e YouTube antes mesmo da guerra. Mas, com a escalada do conflito, isso se intensificou.
A organização não governamental (ONG) Netblocks afirma que “o serviço permanece fortemente filtrado, com novas restrições aos serviços de mensagens e aos portais de aplicativos, em comparação com o período anterior a janeiro”.
A ONG havia classificado esse corte de 88 dias como o mais longo da história moderna em escala nacional.
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