Aliados de Flávio veem efeito limitado de Trump na crise envolvendo Vorcaro | Blogs | CNN Brasil

Aliados do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL ao Palácio do Planalto, comemoraram o encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, nesta terça-feira (26), mas reconhecem que o gesto do líder republicano pode ter efeito limitado na crise desencadeada pelos contatos com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

O ponto positivo, na avaliação de interlocutores do senador, é demonstrar que a família Bolsonaro, de fato, tem acesso à Casa Branca e, portanto, uma oportunidade para se reequilibrar no jogo após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) se reunir por três horas, incluindo um almoço, com o presidente americano no dia 7 de maio.

Porém, interlocutores de Flávio no Congresso receiam que a visita não tenha capacidade de virar o noticiário sobre a relação de Flávio com o ex-banqueiro e afastar os questionamentos acerca do uso de recursos do Master na produção do filme “Dark Horse”, ficção sobre a vida de Jair Bolsonaro.

Desde que o Intercept Brasil revelou que Flávio pediu patrocínio ao ex-banqueiro, o senador viu Lula ultrapassá-lo nas pesquisas de intenção de voto. O receio no entorno do parlamentar é que uma reação demore a acontecer.

A ida de Flávio à Casa Branca, acompanhado do ex-deputado Eduardo Bolsonaro e do empresário Paulo Figueiredo, foi o primeiro suspiro na pré-campanha após uma sequência de fatos negativos para o grupo do filho do ex-presidente.

O primeiro revés foi a operação da PF (Polícia Federal) contra o senador Ciro Nogueira, presidente do Progressistas e ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro, no dia 7 de maio, por suspeita de beneficiar o Banco Master no Congresso Nacional mediante pagamento.

Uma semana depois, o Intercept Brasil revelou mensagens e áudio de Flávio pedindo dinheiro a Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse” sobre a vida de Jair Bolsonaro. O senador, até então, negava contato com o ex-banqueiro. Recuos e contradições sobre o uso do dinheiro para a produção aumentaram a crise.

No meio do desgaste e da queda nas pesquisas de intenção de voto, Flávio trocou sua equipe de marketing e busca uma nova estratégia para reagir e não ver o presidente Lula disparar na dianteira.

Ao mesmo tempo, em um período de 11 dias, o ex-governador do Rio Cláudio Castro, pré-candidato do PL ao Senado no Rio, foi alvo de duas operações da PF no reduto eleitoral da família Bolsonaro.

Na primeira vez, em 15 de maio, Castro foi abordado pelos policiais na Operação Sem Refino, que investiga fraudes fiscais do Grupo Refit. De acordo com a investigação, o então governador teria atuado para blindar e favorecer Ricardo Magro, dono do conglomerado de combustíveis.

Já nesta terça-feira (26), Castro amanheceu com a PF em sua casa por suspeita de aportes irregulares de R$ 3,7 bilhões da Rioprevidência, que gere os benefícios de aposentados e pensionistas do Rio, no Banco Master.

Como mostrou a CNN, o governo Lula e o PT decidiram ignorar o encontro entre Flávio e Trump. Aliados do presidente brasileiro afirmam que a visita não passou de uma “tietagem explícita“.

O entendimento tanto no Palácio do Planalto quanto no partido é que comentar a conversa entre o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e o líder republicano ajuda Flávio a desviar o foco da crise desencadeada pela revelação dos contatos com o empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do liquidado Banco Master.

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