Ciro descarta apoio a Flávio e diz que entendimento com o PL vale só para o Ceará

Ciro Gome, que ficou em terceiro lugar na corrida presidencial, fala à imprensa em reunião da Executiva do PDT, em Brasília, para formalizar a posição do partido no segundo turno das eleições presidenciais.
Foto: Valter Campanato/ABr

O ex-ministro Ciro Gomes (PSDB), pré-candidato ao governo do Ceará, afastou nesta sexta-feira (22) qualquer interpretação de que sua aproximação com o PL no estado implique apoio à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

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“Se eu sou do PSDB e o PSDB, até semana passada, queria que eu fosse candidato a presidente, como é que eles me acusam de apoiar um candidato do outro partido? Não tem esse acordo. O acordo aqui no Ceará é ao redor da agenda do Ceará”, disse o tucano , durante giro pelo interior com agendas em Sobral e no Cariri.

Aliança regional sem compromisso nacional

A aliança entre Ciro e o PL no Ceará foi costurada para viabilizar a candidatura ao governo estadual diante do PT, que lança o governador Elmano de Freitas (PT) à reeleição. O entendimento regional inclui o PL cedendo espaço para nomes ao Senado na chapa encabeçada por Ciro, sem que isso se traduza em apoio mútuo na corrida presidencial.

O líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, admitiu que um palanque compartilhado com Ciro Gomes seria prejudicial para ambas as partes. “Seria ruim tanto para o Ciro Gomes quanto para o Flávio Bolsonaro se os dois dividissem o mesmo palanque”, afirmou o parlamentar.

PL avalia que Flávio ficará sem palanque no Ceará

O Partido Liberal avalia que Flávio Bolsonaro não conta com base política sólida no Ceará. Fontes reservadas dentro do próprio PL e no entorno de Ciro descartam praticamente a possibilidade de Flávio aparecer no mesmo palanque que o pré-candidato tucano ao governo estadual.

A avaliação interna é de que a aliança regional entre os dois campos serve ao Ceará mas não pode ser exportada para a disputa nacional sem custo político para Ciro, que historicamente atacou o bolsonarismo e cujos eleitores rejeitam o senador.

Michelle como obstáculo desde o início

A aproximação entre Ciro e o PL não foi construída sem resistência interna. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro sempre foi contrária à aliança e disse publicamente que “Ciro Gomes não é e nunca será de direita. Sempre será um perseguidor e um maledicente contra o Bolsonaro.”

Michelle apoiou o senador Eduardo Girão (Novo), que também disputará o governo cearense como o único candidato de direita pura no estado.

Disputa eleitoral no Ceará

Ciro lidera as pesquisas no Ceará no cenário sem Camilo Santana (PT). Pesquisa Genial/Quaest divulgada no fim de abril mostra Ciro bem posicionado tanto no primeiro quanto no segundo turno no estado.

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