O Supremo Tribunal Federal vive um clima de forte tensão interna em Brasília. Duas alas de ministros divergem sobre como a Corte deve agir diante de crises de credibilidade e pressões políticas, evidenciando uma disputa entre contenção ética e prioridade à pauta econômica.
O que causou o aprofundamento da divisão entre os ministros?
A crise foi acentuada pela discordância sobre como reagir a suspeitas de conflitos de interesse. Enquanto o presidente Edson Fachin defende um código de ética rigoroso e transparência, o grupo liderado por Gilmar Mendes prefere focar em julgamentos de grande impacto econômico, como mineração e infraestrutura, para tentar recuperar a imagem do tribunal perante setores da sociedade.
Como as duas alas do tribunal estão divididas?
De um lado está o grupo de Gilmar Mendes, que inclui Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Cristiano Zanin. Eles temem que mudanças éticas aumentem a pressão pelo impeachment de ministros no Senado. Do outro lado, Edson Fachin tem o apoio de Cármen Lúcia, Luiz Fux, André Mendonça e Nunes Marques, que acreditam ser necessária uma autocorreção para evitar intervenções externas do Poder Legislativo.
Por que a pauta econômica tornou-se um ponto de conflito?
Gilmar Mendes cobrou publicamente a análise de processos prontos para o plenário, como a liberação da Ferrogrão, ferrovia estratégica para o agronegócio. A ala de Gilmar vê nessas decisões ‘positivas’ uma forma de diminuir o desgaste causado por investigações recentes, enquanto a ala de Fachin prioriza pautas sociais e a organização administrativa interna.
Qual foi a mudança recente na distribuição de processos na Corte?
Para evitar que advogados escolham o ministro que julgará seus casos através de manobras jurídicas, Fachin decidiu que novos pedidos feitos em processos antigos e arquivados serão analisados pela presidência. Isso interrompe a prática de direcionar ações para ministros específicos, o que incomodou colegas que foram pegos de surpresa pela decisão individual do presidente.
O que o STF espera para evitar uma crise com o novo Senado?
Aliados de Fachin sustentam que, se o STF não criar regras internas de conduta este ano, o próximo Senado — que será renovado em 2026 — poderá avançar com propostas que reduzem os poderes individuais dos ministros ou até mesmo abrir processos de impeachment. O objetivo é retomar a credibilidade antes que a contenção venha de fora para dentro.
Conteúdo produzido a partir de informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo. Para acessar a informação na íntegra e se aprofundar sobre o tema leia a reportagem abaixo.

