EUA têm maior perda de aeronaves em guerra desde 1991

Os 40 dias de combate do conflito lançado por Donald Trump contra o Irã foram os mais custosos às forças aéreas americanas desde a Guerra do Golfo de 1991. Ao menos 42 aeronaves foram perdidas, inclusive 10,6% da frota de seu principal drone de vigilância e combate, o MQ-9 Reaper.

É o que mostra um relatório parcial do Serviço de Pesquisa do Congresso, CRS na sigla inglesa, órgão apartidário de assessoramento parlamentar. O texto, divulgado no dia 13 passado, adverte o Departamento de Defesa pela falta de transparência —o Pentágono não comentou, nem negou, os dados.

A guerra em si, iniciada com apoio de Israel em 28 de fevereiro e vivendo um precário cessar-fogo desde 8 de abril, nunca foi autorizada pelo Congresso. Com isso, há apenas informes parciais dados por autoridades do Pentágono, que chutou um número para o custo total do conflito: US$ 29 bilhões (R$ 147 bilhões).

Segundo o CRS, apoiado em relatos de autoridades, órgãos diversos e da mídia, US$ 2,6 bilhões (R$ 13,15 bilhões) foram perdidos com as 42 aeronaves —entre modelos derrubados pelo Irã, por fogo amigo ou que sofreram acidentes.

É o maior número de baixa em suas guerras modernas. No conflito contra o Iraque em 1991, havia sido 75, 33 delas em acidentes, uma média de 1,7 perdas nos 43 dias da ação.

Doze anos depois, contra a mesma ditadura de Saddam Hussein, os americanos tiveram apenas 3 aeronaves derrubadas em 26 dias da fase ativa do conflito, que se estendeu de outras formas até 2011. Uma média de 0,11 perdas/dia.

Agora, Trump elevou a taxa para 1,07 aeronaves perdidas, dado o ambiente mais contestado nos céus do Irã e a capacidade retaliatória da teocracia contra bases no Oriente Médio. Lá, 24 drones Reapers foram abatidos.

Redes sociais iranianas mostraram diversas imagens de unidades do modelo, que tomou o lugar do lendário Predator em 2018, destruídas ao longo das hostilidades. Não é uma baixa casual: a fabricante de ambos os aviões-robôs, a General Atomics, fechou a linha de produção no ano passado.

O motivo foi a falta de encomendas do Pentágono, embora a empresa siga fabricando variantes menos usadas do drone. Com o kit de operação de solo e antenas de conexão com satélite, cada um dos Reaper custa US$ 56 milhões (R$ 283,2 milhões).

O ritmo acelerado das perdas chama atenção, dado que o Irã foi duramente bombardeado desde o primeiro dia da guerra. Os Reaper, movidos a turboélice, são mais lentos que caças a jato e, assim, mais expostos a fogo antiaéreo menos sofisticado.

Isso pode levar a considerações, dado que esse décimo da frota foi eliminado em pouco mais de um mês. Num teatro de operações ainda mais saturado, como em uma hipotética guerra contra a China no Pacífico, isso pode ser ainda mais rápido.

O fato de serem robôs não tripulados as principais vítimas também diz algo a respeito da natureza da guerra que se trava hoje.

Ainda assim, os modelos de vigilância e ataque de grande porte americanos já são vistos como passado quando o assunto é combate próximo em campos de batalha como os da Ucrânia. Mas seguem importantes em coberturas de grandes áreas.

Israel, que disse não ter perdido nenhuma aeronave tripulada, admitiu a queda de qualquer coisa entre 12 e 20 drones menos sofisticados e caros do que os Reaper sobre o Irã.

Saltou aos olhos também a perda, segundo a Marinha por uma falha não explicada, de um caríssimo drone de vigilância naval MQ-4C Triton, um aparelho de US$ 240 milhões (R$ 1,2 bilhão) dos quais apenas 16 estavam operando, segundo o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (Londres).

Mais importante ainda foi a destruição em solo por um ataque iraniano de um Boeing E-3 Sentry, 1 dos 16 disponíveis da frota americana de aviões-radar do modelo. Essa aeronave serve de olhos e controle para frotas em grandes áreas, triangulando posições no solo.

Derivado do antigo Boeing-707 como o Sentry, o KC-135 Stratotanker de reabastecimento aéreo sofreu 7 baixas, 2 delas em acidente e 5 num único ataque iraniano à base Prince Sultan, na Arábia Saudita. Nesse caso, há quase 400 outros aparelhos à disposição ainda.

O caso do choque entre dois KC-135, sobre o Iraque, foi o único com mortes na guerra para os EUA, com seis tripulantes vitimados no acidente.

Houve perdas também na preciosa aviação de caça, que começaram com o estranho episódio em que um piloto do Kuwait derrubou numa só tacada três F-15E americanos, até hoje inexplicado. Outro avião do mesmo modelo foi abatido no Irã, levando à dramática operação de resgate que salvou seus dois pilotos.

Ela teve custos para os americanos: dois MC-130J, versões para uso de forças especiais do cargueiro Hércules, foram destruídos no solo após ficarem presos numa pista rudimentar. E um helicóptero HH-60W envolvido na ação foi atingido pelos iranianos.

Um avião de ataque a solo A-10 foi derrubado, e o Irã se vangloria de ter conseguido inutilizar o voo de um F-35A da Força Aérea rival, na primeira baixa de um desses caças de quinta geração, furtivos ao radar. O aparelho, dizem os EUA, conseguiu pousar num país vizinho, mas não há detalhes do que ocorreu.

Do outro lado do combate, a Força Aérea do Irã ao que tudo indica foi severamente atingida no conflito. Sob o peso de décadas de sanções, ela operava modelos obsoletos, mas não há nenhum relato confiável da extensão de suas perdas —que os EUA dizem ter sido quase totais.

Veja a matéria completa aqui!

- Publicidade - spot_img

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui