MPTCU quer investigar financiamento de Dark Horse, filme de Bolsonaro

O Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (MPTCU) pediu ao TCU a abertura de uma investigação sobre possíveis irregularidades no financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A representação foi apresentada pelo subprocurador Lucas Furtado após reportagens apontarem suspeitas de uso indireto de recursos públicos e de mecanismos para ocultar a origem dos aportes destinados à produção.

O pedido cita informações divulgadas pela imprensa sobre negociações entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o longa. Segundo os relatos mencionados na representação, o acordo previa cerca de R$ 124 milhões em investimentos, dos quais R$ 61 milhões já teriam sido transferidos por meio da empresa Entre Investimentos.

A investigação solicitada ao TCU também mira a produtora Go Up Entertainment, ligada à empresária Karina Gama. Reportagens apontam que organizações presididas por ela receberam emendas parlamentares de deputados do PL e firmaram contratos milionários com a Prefeitura de São Paulo.

O subprocurador argumenta que esses vínculos justificam uma apuração mais detalhada sobre eventual uso de dinheiro público na produção do filme — o que contrasta com declarações de Flávio Bolsonaro de que a obra teria sido financiada apenas com recursos privados.

Na representação, o MPTCU pede ainda que o TCU realize diligências junto à Receita Federal, Ancine, Banco Central, CVM e Coaf para rastrear a origem e a movimentação dos recursos envolvidos no projeto cinematográfico.

O filme “Dark Horse” retrata a campanha presidencial de 2018 de Bolsonaro e tem o ator Jim Caviezel no papel principal. A produção também envolve o deputado federal Mário Frias (PL-RJ), que atua como produtor-executivo do longa e nega irregularidades relacionadas ao financiamento da obra.

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