Em meio às investigações da Operação Sem Refino, promovida pela Polícia Federal, Cláudio Castro, ex-governador do Rio de Janeiro, utilizou as redes sociais, na sexta-feira 15, para contestar as acusações que envolvem sua gestão e a Refit, antiga Refinaria de Manguinhos. Ele declarou não ter cometido irregularidades e defendeu que suas ações à frente do governo foram pautadas pela “lisura”.
+ Entenda o que é Política em Oeste
Receba nossas atualizações
Castro classificou como irresponsáveis as alegações da investigação e informou que vai protocolar um memorial no Supremo Tribunal Federal (STF), com o objetivo de responder aos pontos destacados pelos agentes federais. Segundo ele, o Estado do Rio foi o único a recuperar parte da dívida bilionária da Refit, o que resultou em mais de R$ 1 bilhão devolvidos aos cofres públicos.
Castro rebate acusações de favorecimento
No vídeo divulgado, Castro contestou a hipótese de favorecimento ao Grupo Refit, e ressaltou que a empresa acumula grandes dívidas fiscais em vários Estados e com a União. “Sobre a empresa alvo da operação de hoje, todos sabem que é uma das maiores devedoras do país e possui passivos com praticamente todos os Estados e com a União”, , disse Cláudio Castro. “Mas adivinhem só: qual é o único Estado que conseguiu cobrar impostos devidos por essa empresa? O Estado do Rio de Janeiro. E isso só foi possível graças a um grande esforço nosso para cobrar essa dívida. Conseguimos garantir um acordo que já devolveu mais de 1 bilhão de reais aos cofres públicos.”
As apurações da Polícia Federal indicam que Castro possuía relação próxima com Ricardo Andrade Magro, controlador da Refit, e teria atuado politicamente em benefício do grupo. Um dos pontos destacados pela investigação foi a presença do ex-governador em um evento em Nova York, patrocinado pela Refit.
Evento em Nova York e presença de autoridades
Na resposta pública, Castro afirmou que sua participação se deu em um fórum organizado por uma revista nacional, e negou qualquer vínculo com os patrocinadores do evento. O ex-governador destacou que outras autoridades do Brasil também estiveram presentes, entre elas, parlamentares e integrantes do Judiciário, incluindo o ex-presidente do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso. “Ao analisarmos a ação que justificou a operação de hoje, vemos que também fazem menção a um encontro meu com o dono da empresa nos Estados Unidos”, afirmou Cláudio Castro. “Absurdo! Eu participei de um fórum promovido pela principal revista semanal do país, a Veja. O que tenho a ver com o patrocinador privado de um evento promovido por uma revista? Além disso, eu não era a única autoridade brasileira convidada para o evento. Comigo estavam nesse evento diversas autoridades do Legislativo e do Judiciário brasileiro. E pasmem: sabe quem abriu o evento sublinhado como algo criminoso pela autoridade policial? Nada mais nada menos que o presidente do Supremo Tribunal Federal à época, ministro Luís Roberto Barroso.”
Outro ponto da investigação refere-se à criação de um programa especial de parcelamento tributário sancionado por Castro em 2023. A Polícia Federal aponta que o dispositivo ficou conhecido internamente como “Lei Ricardo Magro” e poderia favorecer a Refit. O ex-governador negou que a legislação tenha sido elaborada para beneficiar a empresa.
Operação Sem Refino e desdobramentos
A Operação Sem Refino investiga indícios de um suposto esquema bilionário de favorecimento à Refit, envolvendo membros do alto escalão do governo do Rio de Janeiro, policiais e servidores públicos. Durante as ações desta sexta-feira, 15, a Polícia Federal apreendeu cerca de R$ 1,6 milhão em espécie, além de armas, veículos de luxo, um celular e um tablet ligados a Cláudio Castro.
O empresário Ricardo Magro teve seu nome incluído na Difusão Vermelha da Interpol, depois da determinação do ministro Alexandre de Moraes do Supremo Tribunal Federal. Magro está fora do Brasil desde 2018.
Leia também: “Punição excessiva e impagável”, artigo de Rachel Díaz na Edição 315 da Revista Oeste

