Zema critica Flávio por cobrar dinheiro de Vorcaro

O pré-candidato à Presidência Romeu Zema (Novo) criticou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nesta quarta-feira, 13. O motivo envolve conversas do parlamentar com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Nos diálogos, revelados pelo site The Intercept BR, o senador pede a Vorcaro para financiar o filme Dark Horse. A obra é uma produção biográfica sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. O Banco Master já enfrentava investigações na época das tratativas. As autoridades prenderam o ex-banqueiro e liquidaram a instituição financeira na sequência.

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Zema usou as redes sociais para manifestar indignação. “Flávio Bolsonaro, ouvir você cobrando dinheiro do Vorcaro é imperdoável”, disse o ex-governador. O político classificou a atitude como um “tapa na cara dos brasileiros de bem”. Ele afirmou que o parlamentar não pode criticar as práticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e fazer a mesma coisa. Zema defendeu a necessidade de credibilidade para mudar o país.

O site The Intercept BR revelou mensagens, comprovantes bancários e cronogramas de pagamento. Os documentos sugerem a transferência de pelo menos US$ 10,5 milhões entre fevereiro e maio de 2025. O montante serviu para financiar a produção cinematográfica ligada à família Bolsonaro. O valor correspondia a mais de R$ 60 milhões naquele período. O plano inicial previa um aporte total de US$ 25 milhões.

As negociações começaram em dezembro de 2024. O empresário Thiago Miranda organizou um encontro entre o senador e o ex-banqueiro em Brasília. Ele atuava como CEO do Portal Leo Dias na época. Miranda confirmou a reunião e avisou que Flávio queria tratar do “filme do presidente”.

Leia mais: “Vorcaro pagou R$ 60 mi para financiar filme sobre Jair Bolsonaro. Flávio teria intermediado a negociação”

O deputado federal Mario Frias (PL-SP) enviou um áudio a Vorcaro pouco depois do encontro. O parlamentar agradeceu pelo apoio ao projeto e disse que o filme teria importância política. O operador financeiro Fabiano Zettel assumiu a coordenação das remessas internacionais nos meses seguintes. A Polícia Federal (PF) aponta Zettel como o braço direito do ex-banqueiro no esquema.

A crise nos repasses de Vorcaro

O setor de câmbio do Banco Master apresentou resistência para concluir as operações em fevereiro de 2025. Vorcaro orientou a realização dos pagamentos por meio da empresa Entre Investimentos e Participações. Zettel enviou um comprovante de transferência de US$ 2 milhões em 14 de fevereiro. O dinheiro foi para o fundo Havengate Development Fund LP, no Estado do Texas.

O avanço do financiamento coincidiu com a piora na crise do Banco Master. Flávio enviou um áudio em setembro de 2025 para cobrar a continuidade dos pagamentos. O senador citou o risco de calote em profissionais estrangeiros, como o ator Jim Caviezel e o diretor Cyrus Nowrasteh. O parlamentar avisou no mês seguinte que as filmagens chegaram ao limite financeiro.

A Polícia Federal prendeu Vorcaro em 17 de novembro, enquanto ele tentava deixar o país. As autoridades acusam o ex-banqueiro de operar um esquema de fraude. A ação criminosa teria provocado um prejuízo de cerca de R$ 50 bilhões ao Fundo Garantidor de Crédito. O Banco Central decretou a liquidação do Banco Master no dia seguinte.

Flávio Bolsonaro rompe o silêncio

O senador divulgou uma nota à imprensa para se defender das acusações. Flávio Bolsonaro defendeu a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o Banco Master. Ele afirmou que o contato com Vorcaro ocorreu exclusivamente para buscar patrocínio da iniciativa privada para um filme privado sobre Jair Bolsonaro. O parlamentar destacou a ausência de recursos públicos ou de uso da Lei Rouanet no projeto. Confira a nota na íntegra:

Mais do que nunca é fundamental a instalação da CPI do Banco Master. É preciso separar os inocentes, dos bandidos. No nosso caso, o que aconteceu foi um filho, procurando patrocínio PRIVADO para um filme PRIVADO sobre a história do próprio pai. Zero de dinheiro público. Zero de lei Rouanet. Conheci Daniel Vorcaro em dezembro de 2024, quando o governo Bolsonaro já havia acabado, e quando não existiam acusações nem suspeitas públicas sobre o banqueiro. O contato é retomado quando há atraso no pagamento das parcelas de patrocínio necessárias para a conclusão do filme. Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem. Isso é muito diferente das relações espúrias do governo Lula e seus representantes com Vorcaro. Por isso, reitero, CPI do MASTER JÁ.

Leia mais: “Flávio se manifesta sobre conversa com Vorcaro

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