Inteligência artificial e as profissões do futuro

A inteligência artificial (IA) deixou de ser uma ideia do futuro e já faz parte do dia a dia de muitas profissões. No mercado de trabalho, seu impacto vem crescendo e deve continuar assim nos próximos anos.

Segundo o professor Marcos Blaque, coordenador de vestibulares e olimpíadas do colégio Darwin, entender como a IA transforma as carreiras é fundamental para quem quer planejar bem o próprio futuro profissional. Ele explica que profissões mais burocráticas ou administrativas tendem a sofrer mais com as inovações tecnológicas, pois são mais fáceis de serem substituídas. Exemplos disso são áreas como telemarketing e atendimento ao cliente, onde a tecnologia já fez uma grande diferença.

Por outro lado, trabalhos que envolvem reflexão crítica, criatividade ou resolução de problemas complexos podem usar a tecnologia como uma aliada, ao invés de uma ameaça.

Substituição ou transformação?

De acordo com Blaque, o avanço da IA não significa que todas as profissões vão desaparecer, mas que elas vão passar por uma grande transformação. Ele destaca que toda nova tecnologia muda o mercado de trabalho e quem souber se adaptar às mudanças terá mais chances de se destacar e conquistar boas posições no futuro.

Preparação começa na escola

Para Blaque, uma das funções da escola hoje é ensinar os alunos a entenderem o mercado de trabalho e se prepararem para ele. Isso envolve não só as disciplinas tradicionais, mas também o desenvolvimento de habilidades relacionadas ao Projeto de Vida, uma novidade da BNCC. Essas habilidades incluem a escolha profissional e o empreendedorismo, que serão cada vez mais influenciados pela presença da IA.

A importância da flexibilidade

Com as mudanças constantes e a ideia de que não há mais carreiras fixas, a flexibilidade se torna uma habilidade essencial. O profissional precisa estar preparado para aprender novas habilidades além da sua área de atuação e fazer transições de carreira quando necessário. Blaque cita o conceito de “modernidade líquida”, do sociólogo Zygmunt Bauman, para ilustrar essa fluidez nas relações de trabalho atualmente.

IA e educação: um caminho com desafios

Embora alguns vejam a IA como uma ferramenta para democratizar o acesso à educação de qualidade, Blaque pondera que essa ideia nem sempre é verdadeira. Ele destaca que escolas de ponta investem bastante em trabalhos em grupo, resolução de conflitos e habilidades socioemocionais — competências que não dependem diretamente da IA e que são muito valorizadas pelo mercado de trabalho.

Ele lembra também que outras tecnologias, como a internet, também foram vistas como soluções democráticas, mas nem sempre cumpriram esse papel. Para ele, quem usar a IA de forma adequada pode aprender a selecionar melhor as informações, uma habilidade importante destacada por professores como Mário Sérgio Cortella e pelo jornalista Gilberto Dimenstein em sua obra A era da curadoria.

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