O Brasil segue em alta na escalada da inflação. Para outubro, o país registrou inflação na casa dos 10,67%, puxada pela alta do preço da gasolina e das passagens aéreas, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O valor representa aceleração de 1,25% em outubro, acima das projeções de analistas, sendo, portanto, a taxa maior para o mês desde 2002, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados nessa terça-feira, 10.

Na contramão do cenário nacional, a inflação em Fortaleza desacelerou em agosto, mas continua como uma das maiores do país considerando o acumulado dos últimos 12 meses. Conforme a inflação calculada pelo IPCA, os preços na capital cearense ficaram 0,43% mais caros em agosto.
Analistas de mercado, no entanto, projetavam variação de 1,06%. Em setembro, a alta do IPCA havia sido de 1,16%. Com o resultado de outubro, a inflação acumulada em 12 meses permanece acima de dois dígitos, alcançando 10,67%. Trata-se do maior acumulado desde janeiro de 2016 (10,71%). O IPCA está distante do teto da meta de inflação perseguida pelo BC (Banco Central) em 12 meses. O teto é de 5,25% em 2021. O centro é de 3,75%.
Em outubro, todos os nove grupos de produtos e serviços pesquisados subiram, com destaque para transportes. Esse segmento teve a maior variação (2,62%) e o principal impacto no índice do mês (0,55 ponto percentual).
Especialistas ouvidos pelo O Estado, disseram que a alta das taxas ocorre em razão da instabilidade política e que o país precisa encontrar um meio para que exista menos polarização políti-ca para que a inflação possa ceder.
Segmentos
O resultado de transportes foi influenciado pelos combustíveis, cuja alta foi de 3,21%. Isso porque a política de preços da Petrobras leva em consideração as cotações do petróleo no mercado internacional, que subiram com a reabertura da economia global, e o comportamento do dólar, acima de R$ 5.
Ainda segundo dados do IBGE, a gasolina avançou 3,10% em outubro. Assim, teve o principal impacto individual (0,19 ponto percentual) no IPCA do mês. Foi a sexta alta consecutiva dos preços desse combustível. A gasolina acumula disparada de 42,72% nos últimos 12 meses.
Os preços do óleo diesel (5,77%), do etanol (3,54%) e do gás veicular (0,84%) também subiram em outubro. Pedro Kislanov, gerente da pesquisa do IBGE, disse que o aumento dos combustíveis acaba pressionando itens diversos ao longo da cadeia produtiva. Valores de fretes de mercadorias ficam mais caros, por exemplo. Isso acaba afetando outros componentes”, disse.
Viagens
Outro reflexos da alta dos combustíveis está nas passagens aéreas, uma vez que o mês de outubro, o item subiu 33,86%, respondendo pelo segundo maior impacto individual no IPCA (0,15 ponto percentual). De acordo com o IBGE, a alta das passagens é comum em outubro, mas a alta dos preços ocorreu em razão dos impactos adicionais dos combustíveis. A pesquisa do IBGE contempla 16 capitais e região metropolitana. No acumulado de 12 meses, 12 metrópoles têm IPCA acima de 10%. – Com O EstadoCE
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