
Para conseguir matricular os filhos no Centro de Educação Infantil Menino Maluquinho, no bairro Papicu, em Fortaleza, cerca de 12 pais e mães estão, desde a última sexta-feira (25), dormindo em uma fila formada na calçada, do lado de fora da creche. A situação tem se tornado rotina. No ano passado, os pais tiveram de enfrentar o mesmo problema.
Ao chegar no local, é possível observar que os responsáveis chegam preparados para os dias que passarão por lá. Cadeiras, bancos, espreguiçadeiras e até um colchão foram levados. Tudo para não ter que sair da fila. Eles terão de ter paciência, pois a matrícula para os novatos só começa em 4 de fevereiro, seguindo até o dia 8. Do último dia 28, até 1º de fevereiro, as matrículas são para educação inclusiva.
Na porta, foram fixados alguns cartazes. Dois, em especial, chamam a atenção dos pais dos alunos. No primeiro, está escrito que, ao todo, serão ofertadas 23 vagas. Destas, 19 são para o Infantil II, onde estudam crianças de 2 até 3 anos. Já para o Infantil III e IV, serão duas vagas cada. No primeiro, estudam pequenos de 3 a 4 anos e, no segundo, entre 4 e 5 anos de idade.
Outro aviso alertava que as matrículas serão feitas por ordem de chegada, mesmo para aquelas crianças que já estão incluídas na lista de espera, que não é garantia de vaga.
“Cheguei na sexta passada para conseguir fazer a matrícula. No ano passado, quando eu cheguei, já era tarde demais e acabei perdendo a vaga”, explicou a manicure Natália Elói Luz Soares, que, neste ano, foi mais rápida do que as outras mães e conseguiu o primeiro lugar na fila.
A manicure conta que optou pela creche devido ao ensino de qualidade que ela oferece aos estudantes e, também, por ser próximo ao seu local de trabalho. Dessa forma, ela poderá deixar a filha na escola, seguir para o trabalho e, somente na volta, pegar a filha.
Para Natália, o principal motivo da existência de uma fila para conseguir uma vaga na escola é o pequeno número de vagas ofertadas pelo Centro de Educação Infantil Menino Maluquinho.
Enquanto as portas da escola não abrem para que a manicure possa fazer a matrícula, ela conta que aguarda o tempo passar conversando com outras mães e pais presentes no local.
A dona de casa Rejane Teixeira de Melo dos Santos sabe que, se não guardar logo um local na fila, vai perder a matrícula de seu filho, por isso, já se prepara com antecedência para ter que ficar alguns dias ao lado da Creche Menino Maluquinho. “Essa é uma escola muito procurada por todos que moram ou trabalham nesta área. Por isso, ela é bastante disputada e temos que ficar aqui na fila”, relata.
Neste ano, Rejane teme que os diretores e professores da instituição sejam mandados embora devido à mudança de gestão na Prefeitura. “Todos os pais e alunos gostam muito deles. Não estamos aqui por culpa da creche e, sim, por causa do pequeno número de vagas”, ressaltou.
Mesmo grávida, a dona de casa Luciene Barbosa não deixou de ficar na fila para conseguir uma vaga para um outro filho. Para ela, a proximidade com a sua casa é um fator fundamental para escolher aquela instituição para matricular a criança.
“Se formos procurar outra creche, certamente só vamos encontrar em um local muito distante. A Creche Menino Maluquinho fica bem perto da minha casa. Por isso, não gasto muito tempo para deixar ou pegar o meu filho”, comentou a dona de casa.
Reunião
No último dia 11, o prefeito Roberto Cláudio e o titular da Secretaria Municipal de Educação (SME), Ivo Gomes, tiveram audiência com o ministro da Educação, Aloísio Mercadante, quando conseguiram recursos para a construção de 80 creches.
As assessorias de comunicação da SME e da Prefeitura de Fortaleza informaram que não tinham nenhuma informação sobre o problema que ocorre com os pais que querem matricular seus filhos na Creche Menino Maluquinho.
Oferta
23 é o total de vagas disponibilizadas pela unidade da rede municipal. Dessas, 19 são para o Infantil II, duas para o Infantil III e duas para o Infantil IV
Diário do Nordeste

