Em uma das sessões mais tensas dos últimos anos, o presidente do Tribunal de Contas do Ceará (TCE), Valdomiro Távora, e o procurador-geral do Ministério Público de Contas (MPC), Gleydson Alexandre, quase partiram para o enfrentamento após bate-boca no plenário. Antes, o clima já havia esquentado com as críticas da conselheira Soraia Victor ao modelo de código de ética proposto pelo corregedor da Corte, Edilberto Pontes. A sessão foi interrompida sem que nenhum processo tenha sido julgado.

O momento mais delicado da sessão ocorreu após o discurso de despedida de Gleydson, que deixa a chefia do MPC neste mês. Ele acusou o comando do TCE de “tentar enfraquecer” o Ministério Público, atribuindo à cúpula da Corte a iniciativa da proposta de emenda à Constituição que, recentemente, reduziu de seis para três o número de procuradores do Órgão. Gleydson também mencionou a decisão do TCE de impedir que o MPC solicite, diretamente, documentos e informações do Estado.

O presidente retrucou, alegando incompetência funcional do MPC para determinados procedimentos e apontando queda na produtividade durante a gestão de Gleydson: segundo Távora, o número de pareceres escritos caiu de 589 para 267, nos últimos dois anos.

O procurador quis tréplica, mas o pedido foi negado pelo presidente. Gleydson decidiu se retirar da sessão e os dois ficaram frente a frente. Houve troca de ofensas. “Pois vamos resolver lá fora”, disse Valdomiro. A frase foi encarada como “pedido de briga” pelo procurador. Os dois deixaram o plenário com os ânimos exaltados e não voltaram a se encontrar,

Ética
A análise do código de ética do TCE foi adiada para a próxima terça-feira. Os conselheiros terão uma semana para apresentar emendas. Na próxima sessão, o pleno decidirá se o código passará pelo trâmite exigido pelo regimento interno, com sorteio de relator, ou se será votado no mesmo dia.

O Povo