Produção de grãos deverá recuar 53% este ano no CE

Com o fim do período referente à quadra chuvosa no Ceará (fevereiro a maio) – além da escassez de...

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Com o fim do período referente à quadra chuvosa no Ceará (fevereiro a maio) – além da escassez de água nos reservatórios do Estado –, e dando continuidade às quedas previstas para a produção agrícola neste ano, o sexto Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), realizado no período de 16 de maio a 15 de junho, mostra que, todos os 48 produtos pesquisados, em relação ao mês anterior, 43 apresentam alterações nas estimativas de produção para 2015, comparando-se com a produção obtida em 2014 – sendo 39 negativas e quatro positivas. A safra de grãos esperada já é 53,53% menor que o previsto em janeiro, mas deve superar em 1,22% a safra de 2014 (ano de seca intensa).

Segundo o Levantamento, divulgado ontem, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística no Ceará (IBGE), através do Grupo de Coordenação de Estatísticas Agropecuárias do Ceará (GCEA-CE), os quatro únicos produtos que apresentam crescimento da estimativa de produção são: fumo, cana-de-açúcar de sequeiro e manga de sequeiro e palma forrageira.

Por outro lado, os produtos que apresentam redução na expectativa da produção de 2015 são: algodão herbáceo de sequeiro, amendoim, arroz de sequeiro, batata doce, fava, feijão de arranca de 1ª safra (Phaseolus), feijão de corda de 1ª safra (Vigna), feijão de corda de 2ª safra (Vigna), milho (grão), milho (semente), milho (espiga), tomate, melancia, abacaxi, cana-de-açúcar (irrigada), mamona, mandioca de sequeiro, acerola, ata (pinha), banana de sequeiro, banana irrigada, café em grão (arabica), café em grão (conilon), castanha de caju (gigante), castanha de caju (anão), goiaba irrigada, coco-da-baía (seco), coco-da-baía (água), goiaba de sequeiro, laranja, graviola, maracujá, sisal, mamão e tangerina.

Destaques

No grupo de cereais leguminosas e oleaginosas, nenhum produto apresentou crescimento, uma vez que houve decréscimo em algodão herbáceo de sequeiro, amendoim, arroz de sequeiro, batata doce, fava, feijão de arranca de 1ª safra (Phaseolus), feijão de corda de 1ª safra (Vigna), feijão de corda de 2ª safra (Vigna), milho (grão), milho (semente) e mamona – todos tendo a estiagem como a principal causa em comum. Com isso, no cômputo geral, a nova produção estimada de grãos é de 531.558 toneladas (t) em 2015, representando uma expressiva redução de 41,03%, comparando-se à estimativa de maio (901.444 t), e de 53,53% com relação à estimativa inicial do ano (1.143.956 t). Comparando-se ao ano passado, contudo, esta safra está 1,22% maior que 2014 (525.146 t).

Quanto a frutas frescas, composto de 19 produtos, apenas um produto apresentou crescimento na expectativa da produção, na passagem mensal – manga de sequeiro -, enquanto os outros 12 produtos recuaram, melancia, acerola, ata (pinha), banana irrigada, banana de sequeiro, goiaba irrigada, goiaba de sequeiro, graviola, laranja, maracujá, mamão e tangerina. A produção esperada é de 1.179.802 t, caindo 1,07% em relação ao mês anterior (1.192.570 t), 9,12% em relação à estimativa inicial de janeiro (1.298.199 t) e 8,31%, comparando-se à safra de 2014 (1.286.766 t).

No grupo composto por frutos secos, a produção da castanha-de-caju sofre impacto com a morte de cajueiros e consequente redução de área de cultivo. Em relação ao mês anterior, o tipo anão recuou 0,81%, enquanto que o tipo gigante caiu 4,08%. No cômputo geral, nos 143 municípios onde o fruto é cultivado, a castanha-de-caju (total) tem sua produção estimada em 148.958 toneladas, sendo 2,98% menor que a previsão realizada no mês anterior (153.538 t). Comparando-se à safra 2014 (52.318 t), a estimativa da produção total esperada acena com um incremento de 184,72% em 2015, informa o IBGE.

Outros

Com relação ao tomate, visto como um dos principais vilões na alta de preços da cesta básica em Fortaleza, a expectativa de produção encolheu 3,53%, comparando-se ao mês anterior (132.539 t), prejudicado pela falta de água para irrigação e redução de área cultivada nas macrorregiões de Baturité e Caririaçu. Com isso, a produção esperada de 133.299 t decresce 45,13%, comparando-se ao levantamento inicial (234.368t) e 42,81% em relação à safra efetivamente obtida em 2014 (224.850 t).

De forma mais intensa, a produção de milho (espiga) teve sua previsão bastante pessimista para este ano. A produção esperada é de 35.665 mil espigas, decrescendo 57,49%, comparando-se ao levantamento inicial (83.902 mil espigas) e 55,51% em  relação à safra efetivamente obtida em 2014 (80.163 mil espigas).

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