Pesquisa realizada pela Confederação Nacional dos Municípios (CNM) mostra que pelo menos metade das cidades cearenses não estão recebendo auxílio dos Governos Estadual e Federal para minimizar os efeitos causados pela seca na região. De acordo com o levantamento divulgado ontem, 56% das prefeituras não recebem esse repasse do Executivo Estadual e 43% do Governo Federal. Foram pesquisados 124 dos 184 municípios do Estado.

A instituição realizou um levantamento em todo o Nordeste para fazer um balanço da situação vivenciada nos municípios atingidos pela seca. Ainda de acordo com o estudo, 87% das cidades cearenses não recebem auxílio de outros órgãos para enfrentar o problema da seca. Além disso, apesar do pacote anunciado pela presidente Dilma Rousseff para atenuar os efeitos da estiagem, o que se percebe é que essas ações ainda não foram efetivadas no Estado.

A Confederação Nacional dos Municípios aponta, por exemplo, que 32% dos municípios cearenses pesquisados ainda não receberam os equipamentos prometidos pelo Governo Federal, como motoniveladoras, retroescavadeiras, caminhão-caçamba e caminhão-pipa, oriundos do PAC Equipamentos. Já no que se refere ao programa de assistência do Governo, 77% dos entrevistados do Ceará indicam que mais de 200 pessoas recebem o Bolsa-estiagem em seus municípios.

Outro dado preocupante se refere às migrações de pessoas das localidades que enfrentam seca para outras cidades e estados, um total de 77% dos que responderam às questões. “Uma consequência da alta taxa de desemprego é o êxodo de trabalhadores e famílias em busca de melhores condições de vida e trabalho”, considera o estudo na CNM. Conforme o levantamento, 69% dos municípios apresentam índice de desemprego acima de 20%.

Devastação

Diante das demandas referentes à seca no Estado, as prefeituras ficam sobrecarregadas para tentar reduzir os problemas gerados pela estiagem. O estudo mostra que 7.185 moradores procuram diariamente as prefeituras de seus municípios em busca de ajuda e recursos. “Com a devastação em decorrência da falta de chuvas, a seca tem provocado nos pequenos municípios uma procura maior de sua população junto às prefeituras, uma vez que, na maioria dos casos, ela é o único ponto de contato para apresentar suas demandas”, conclui a CNM.

Outro agravante nessas localidades é a perda de gado por falta de comida e água. No Ceará, 49% dos entrevistados perderam mais de 100 cabeças de gado. “A economia da região é predominantemente agropecuária e sofre fortemente com os golpes da seca. Como se pode notar, os pesquisados apontaram que há grandes perdas no rebanho”, aponta o texto da pesquisa da entidade.

O levantamento revela que 33% dos gestores indicam que as prefeituras são responsáveis pela distribuição de cestas básicas para amenizar a fome.

Diário do Nordeste