
O presidente da Camara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), disse ontem que o ex-presidente Lula negou a intenção de substituir o PMDB como parceiro de chapa de Dilma Rousseff (PT) em uma eventual campanha à reeleição em 2014.
Ele se reuniu com o petista por quase duas horas, na sede do Instituto Lula, na zona sul de São Paulo. Nas últimas semanas, Lula vinha discutindo com aliados a possibilidade de o PT oferecer a vice ao governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, presidente.
Aliado do governo federal, Campos pode sair candidato ao Planalto em 2014.
Em troca, os petistas deixariam de lançar candidato em São Paulo para apoiar o vice-presidente da República, Michel Temer, ou o deputado Gabriel Chalita, ambos do PMDB-SP, ao governo estadual.
“Ele (Lula) foi muito afirmativo de que essa aliança, pelo seu êxito, deve continuar”, disse Alves ao sair do encontro com Lula. “A relação Dilma-Michel é, ao meu ver, uma coisa consolidada, resolvida. Senti claramente isso hoje nas palavras do presidente Lula e (em outras manifestações) da presidente Dilma”.
Alves ressaltou que Lula vê com “bons olhos” a continuidade dessa aliança e que as pesquisas mostram aprovação popular do atual governo.
Segundo o presidente da Câmara, Lula disse que pretende marcar um encontro com Temer “nos próximos dias”. Alves afirmou que a chapa com Dilma e Temer estaria confirmada para 2014, mas ressaltou que ainda faltam dois anos para a eleição. “Não é hora ainda (de lançar candidatura)”.
O encontro de Alves com Lula ocorre três dias depois de o PMDB de São Paulo ter divulgado uma nota reagindo ao noticiário de que o partido poderia perder a vice-Presidência. No texto, a legenda afirmou que sua prioridade é a manutenção da aliança com a presidente Dilma Rousseff e que Michel Temer “já descartou qualquer possibilidade de disputar o governo do Estado”.
Sobre o espaço que seria dado ao PSB de Eduardo Campos, Alves afirmou que a sigla continuará sendo importante para a aliança. “Nós queremos muito o PSB e o governador Eduardo Campos. Eles já participam do governo Dilma”, respondeu.
Segundo o presidente da Câmara, a questão da cassação dos deputados condenados no julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF) não foi abordada no encontro desta tarde. O peemedebista reafirmou que o tema não colocará a Câmara dos Deputados em oposição à decisão do Supremo em relação à perda de mandato dos parlamentares. “Não há a menor possibilidade de confronto entre os Poderes (Legislativo e Judiciário)”, disse.
Aos jornalistas, o deputado disse que foi ao encontro de Lula para agradecer seu esforço durante a eleição para a presidência da Câmara dos Deputados. “Sei do trabalho importante dele (Lula) para que o PT cumprisse o compromisso com o PMDB e que cumpriu fielmente”, elogiou.
Reaproximação
A participação do senador petista Humberto Costa foi discreta no primeiro evento público ao lado do governador Eduardo Campos, após a derrota do PT para o PSB na eleição para a Prefeitura do Recife.
O petista foi ao seminário Todos Por Pernambuco, realizado em Gravatá, a 85 km do Recife, mas se limitou ao discurso protocolar dirigido à defesa do governo Dilma e às demandas dos prefeitos, público majoritário do evento.
A eleição de 2012 foi marcada por uma acirrada disputa entre os dois partidos que desbancou a legenda de Lula do poder após 12 anos de hegemonia na capital pernambucana. Costa perdeu para Geraldo Julio (PSB).
Diário do Nordeste




