Eduardo Campos e Dilma devem ser adversários nas eleições de 2014 (FOTO: ROBERTO STUCKERT FILHO/PR)

Quatro agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) foram presos em operação no Porto de Suape, em Pernambuco, que teria como alvo o governador do Estado e potencial adversário da presidente Dilma Rousseff nas eleições do ano que vem, Eduardo Campos (PSB). A informação foi revelada pela revista Veja deste fim de semana, que traz informações de um documento enviado pela Polícia Militar ao Gabinete Militar do governador, com o relato do caso.

As prisões ocorreram em 11 de abril, uma semana depois de a reportagem mostrar que, sob o comando do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) da Presidência, a Abin espionava sindicalistas em Suape, um dos principais redutos de Campos. A ação se deu em meio a embate público entre o Planalto e o governador, que era contra a aprovação da Medida Provisória dos Portos no Congresso.

O chefe do GSI, general José Elito Carvalho Siqueira, negou “veementemente” o monitoramento em Suape, mas, após a reportagem publicar, dias depois, documento sigiloso da Abin que comprova a operação, se desdisse e admitiu missão para vigiar o movimento sindical.

De acordo com Veja, os quatro agentes trabalhavam travestidos de portuários, com documentos falsos, e levantavam informações que pudessem ser usadas contra Campos. Ao serem presos pela Polícia Militar, identificaram-se como agentes e pediram que não fosse registrada ocorrência. O episódio, contudo, teria sido relatado num documento sem timbre enviado ao gabinete de Campos.

Uso político da Abin
Os agentes, lotados na Abin em Pernambuco, estariam em dois carros, um de placa fria e um da própria agência. Eles seriam Mário Ricardo Dias de Santana, Nilton de Oliveira Cunha Júnior, Renato Carvalho Raposo de Melo e Edmilson Monteiro da Silva. Este último é vereador do PV em Jaboatão dos Guararapes. Contatado por Veja, disse ter ido visitar amigos em Suape e negou as prisões.

Segundo a revista, Campos se queixou a aliados do uso político da Abin a seu favor. O governador ainda não se pronunciou oficialmente a respeito, tampouco confirmou as prisões. Procurado, o GSI também não se manifestou, mas adiantou que divulgará nota a respeito.

O Povo