Em 20 de julho de 1973, por volta das 16h, Bruce Lee e o produtor Raymond Chow foram à casa da atriz taiwanesa Betty Ting Pei, em Hong Kong. Eles queriam lhe propor um papel no próximo longa-metragem de Lee, Jogo da Morte. Às 19h30, Lee reclamou de dor de cabeça. Betty deu-lhe analgésicos que continham aspirina e relaxante muscular, e Lee foi se deitar. Por volta das 21h, o produtor ligou para perguntar por Lee, mas a atriz contou que não conseguiu acordá-lo. Minutos após chegar a um hospital de Hong Kog, foi declarado morto, aos 32 anos. A causa oficial foi edema cerebral, porém até hoje há controvérsias.
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Lee Estaria doente ou foi um assassinato?
No dia 10 de Maio de 1973, Bruce Lee desmaiou no estúdio Golden Harvest, enquanto fazia o trabalho de dublagem para o filme Operação Dragão. Ele sofreu convulsões e dores de cabeça e foi imediatamente levado para um hospital de Hong Kong, onde os médicos diagnosticaram edema cerebral. Eles foram capazes de reduzir o inchaço com a administração de manitol. Esses mesmos sintomas que ocorreram em seu primeiro colapso depois foram repetidos no dia da sua morte.
Mais tarde, Lee se queixou de uma dor de cabeça, e Ting deu-lhe um analgésico, Equagesic, que incluía aspirina e um relaxante muscular. Cerca de 7:30 da noite, foi se deitar para dormir. Quando Lee não apareceu para jantar, Chow chegou ao apartamento, mas não viu Lee acordado. Um médico foi chamado, que passou dez minutos tentando reanimá-lo antes de enviá-lo de ambulância ao hospital. Lee foi dado como morto no momento em que chegou ao hospital.

Não houve lesão externa visível, porém de acordo com relatórios da autópsia, o seu cérebro tinha inchado consideravelmente, passando de 1.400 a 1.575 gramas (um aumento de 13%). Lee tinha 32 anos. A única substância encontrada durante a autópsia foi Equagesic. Em 15 de outubro de 2005, Chow declarou em uma entrevista que Lee morreu de hiperalergia ao relaxante muscular “Equagesic”, que ele descreveu como um ingrediente comum em analgésicos. Quando os médicos anunciaram a morte de Lee oficialmente, o país considerou uma enorme “desgraça”.
A controvérsia ocorreu quando o Dr. Don Langford, que foi médico pessoal de Lee em Hong Kong e o havia tratado durante seu primeiro colapso acreditava que o “Equagesic não foi único remédio envolvido no primeiro colapso de Bruce.” No entanto o professor RD Teare, um cientista forense da Scotland Yard que supervisionou mais de 1000 autópsias, foi o perito superior designado para o caso Lee. Sua conclusão foi que a morte foi causada por um edema cerebral agudo devido a uma reação aos compostos presentes na prescrição de remédios como o Equagesic.

Sua esposa Linda voltou para sua cidade natal, Seattle, e foi enterrado no lote 276 do Cemitério Lakeview. Seu caixão foi carregado no funeral em 31 de julho de 1973 por Taky Kimura, Steve McQueen, James Coburn, Chuck Norris, George Lazenby, Dan Inosanto, Peter Chin, e seu irmão Robert Lee.
A morte de Lee ainda é um tema de controvérsia. Devido a seu status de mito, começaram a circular teorias de que ele havia sido envenenado pelas Tríades, enquanto outros acreditavam que um cabal secreto de mestres de artes marciais matou Lee por ter revelado muitos segredos aos não-orientais, Lee dizia que através da artes marciais a cultura oriental teria a chance de ser respeitada e reconhecida. Houve ainda rumores de uma maldição hereditária sobre a família Lee, que afetou mais um membro em 1993, quando o seu filho, Brandon Lee, foi morto em um acidente estranho durante as filmagens do filme O Corvo.
A explicação oficial é que Bruce Lee teve uma reação adversa aos remédios que havia tomado para a sua dor de cabeça, o que causou um edema cerebral, matando o ator.
O funeral, em Hong Kong, foi presenciado por 20 mil pessoas. Depois, o corpo foi levado para Seattle (Estados Unidos), onde foi enterrado no cemitério Lake View.

A não muito conhecida história de Yip Man, o mestre de Bruce Lee
Bruce Lee é fruto de várias concordâncias. Esteve quando e onde tinha de estar, no momento certo e no tempo correto. Uma dessas felizes coincidências foi ter aprendido a lutar com Yip Man. O mestre, aos 13 anos, segundo a lenda, foi aceito como o último aluno de Chan Wah-Shun, outro mito nas artes da defesa pessoal, e Ng Chung-Sok. Quando chegou ao ápice, passou décadas ensinando quase tudo o que sabia para Bruce Lee.
A biografia oficial diz que em 1908, quando tinha 15 anos, Yip Man mudou-se para Hong Kong com a ajuda de um parente. De acordo com os dois filhos, ele mudou de vida após presenciar um policial batendo em uma mulher estrangeira. A história diz que o policial tentou atacá-lo quando interveio em defesa da mulher, e que Yip Man usou suas técnicas. A cena teria sido vista por um homem mais velho, que perguntou qual arte marcial era aquela. O velho pediu a Yip Man que lhe mostrasse as primeiras duas formas – Sil Lim Tao e Chun Kiu. Ele gostou do que viu. E então desafiou Yip Man a enfrentá-lo. O homem de mais de 50 anos venceu, e Yip Man percebeu que tinha muito a aprender. Foi convidado para treinar Chi Sau (uma forma que envolve o ataque controlando a defesa). E então descobriu que aquele homem era companheiro de seu mestre, Leung Bik, filho de outro mestre seu, Leung Jan, para quem tinha prometido que jamais ensinaria os golpes, por temer que fossem usados para o mal. Treinou e, com 24 anos, Yip Man voltou a Foshan com as habilidades de wing chun tremendamente aprimoradas.
Conhecido por ser uma pessoa modesta e sempre alegre, Yip Man passou a ser admirado pelo jeito simples, prova de que o verdadeiro wing chun amadureceu o seu modo de pensar. Esse era outro motivo pelo qual era querido na cidade: Foshan era um centro de artes marciais, e ele era um mestre sem igual. Tanta admiração fez com que recebesse o cargo de chefe de polícia da cidade, que aceitou com entusiasmo. Na corporação, ensinou a arte para vários subordinados, e também a amigos e parentes deles.

Mas os japoneses invadiram a China e Yip Man, buscando tranquilidade, voltou para a casa em que morou, na aldeia Kwok Fu. O ano era 1937. Sua fama chegou aos ouvidos dos japoneses, que, achando serem racialmente invencíveis, o testavam. Lutavam com ele e perdiam. Queriam que Yip Man lhes ensinasse a técnica, mas ele se negou e acabou com todos os bens confiscados pelo exército imperial japonês. Por sorte não foi executado. Sua mansão foi transformada em quartel-general. Teve de viver em extrema pobreza e, como só sabia artes marciais, viu-se obrigado a quebrar a promessa que fez para Leung Bik e começou a ensinar wing chun para chineses que buscavam defesa contra o exército japonês. A esposa adoeceu nesse período e morreu, deixando Yip Man sozinho para cuidar dos quatro filhos.
Ele só retornou a Foshan depois da guerra, novamente como policial. No final de 1949, depois que o Partido Comunista venceu a guerra civil chinesa e tomou a cidade, sendo ainda um oficial Kuomingtang (do Partido Nacionalista Chinês, o que hoje governa a dissidente Taiwan), ele decidiu fugir sem a família para Hong Kong, que na época era colônia britânica.
Com poucos recursos, abriu uma escola de artes marciais. As vitórias dos alunos ajudaram a reforçar a reputação de Yip Man. Em 1967, ele e alguns dos alunos fundaram a Kong Ving Tsun Athletic Association Hong, que prosperou. A frase mais conhecida dele é uma espécie de homenagem não declarada a Bruce Lee: “É difícil para o aluno escolher um bom professor, mas é ainda mais difícil para um professor pegar um bom aluno”. Em 1972, Yip Man morreu de câncer na garganta por causa do fumo. Mas, nas três décadas de sua carreira, ele estabeleceu um sistema de treinamento para o wing chun que se espalhou pelo mundo, graças à fama do principal pupilo.
A lenda de Yip Man passou a ser mais amplamente conhecida a partir de 2008, quando foi lançado o elogiado O Grande Mestre, protagonizado por Donnie Yen, dirigido por Wilson Yip e com cenas de luta coreografadas pelo ator e especialista em cenas de ação Sammo Hung (que trabalhou com Bruce Lee em Operação Dragão). O filho mais velho de Yip Man, Ip Chun, aparece no longa, além de ser o principal consultor do roteiro. Em 2010, foi lançada a segunda parte, que retrata o início do contato de Yip Man com Bruce Lee. O sucesso do filme ajudou a alavancar uma mania que gerou inúmeros longas sobre o mestre. Mais recentemente, o diretor de arte Wong Kar-wai (de Amor à Flor da Pele) elaborou uma visão mais particular sobre o mito em The Grandmaster, ainda sem previsão de estreia no Brasil. Nele, o galã Tony Leung interpreta Yip Man (Essa biografia é de Rolling Stone).
