O encontro que deveria ter definido, entre outros pontos, o comportamento do PT em relação ao governo Cid Gomes (PSB) acabou adiado, ontem, por falta de quórum – pelo menos, segundo a justificativa oficial. Só seis dos 16 integrantes da executiva estadual compareceram. O POVO apurou, no entanto, que a ausência da ex-prefeita de Fortaleza e presidente do PT do Ceará, Luizianne Lins, foi o verdadeiro motivo do cancelamento. Os petistas teriam entrado em acordo e decidido só discutir a questão quando Luizianne voltar do Rio de Janeiro, onde passa férias.
Mesmo fora do Estado, a ex-prefeita teria dito que deseja estar presente no encontro que decidirá o rumo do partido. Luizianne e outros membros da corrente Democracia Socialista (DS), da qual ela faz parte, tem defendido o rompimento com Cid no pós-eleições – enquanto outras forças pregam a manutenção da aliança ou, no máximo, uma “repactuação” da parceria. O presidente interino do PT, Joaquim Cartaxo, é dos que consideram que o assunto nem precisaria ser discutido, uma vez que o racha com o PSB teria se dado apenas na esfera municipal. “Não há nada na conjuntura, do ponto de vista estadual, que aponte (para rompimento)”, afirmou na noite de ontem.
Os grupos internos do PT irão, agora, medir forças até o início de fevereiro, quando a executiva volta a se encontrar. Embora influente, a corrente de Luizianne não tem a maioria dos filiados, cujo poder está nas mãos do deputado federal José Guimarães, da Democracia Radical. “Independentemente do que vai se deliberar, que haja pelo menos o debate”, afirmou o deputado estadual Antônio Carlos, um dos mais próximos de Luizianne no PT.
Os três petistas que ocupam secretarias no Governo foram convidados para a reunião, mas só o titular do Desenvolvimento Agrário, Nelson Martins, compareceu. O deputado federal Artur Bruno defendeu que os secretários passem a prestar contas de suas tarefas no Governo e que haja a criação de um “conselho político” no Executivo, no qual o PT possa ser “mais ouvido”.
O Povo